Mudanças bem-vindas

mudancaMinha primeira postagem no blog data em 2009… Como eu mudei em 7 anos… E dou graças… Talvez eu fosse uma beata “bolsonariana” com a melhor das intenções… Espalharia discurso de ódio achando que estaria praticando o amor, seria, talvez, extremamente preconceituosa – digo extrema porque não sou tanto, mas ainda assim, tenho meus preconceitos. Seria conhecida como uma bênção, mulher de oração, cheia da unção. Talvez eu fizesse um voto de pobreza, o que, sinceramente, não condenaria hoje, porque sei que seria sincero. Estaria entre presídios e hospitais pregando, orando, chorando e sofrendo… o que também não condenaria hoje, considero práticas louváveis e não me eximo ainda de praticá-las, mas de forma diferente.

De pensar que tudo mudou com minha passagem pelo seminário… Como foi doloroso e libertador o tempo em que estive lá, especialmente por descobrir que o tal cristianismo, aprendi em casa, com minha mãe e seu exemplo simples e honesto de ser. Só isso já me bastaria… Porém, essa minha mania de vasculhar tudo, cavar origens, buscar primórdios, me deixa ainda inquieta para desvendar tantos “mistérios”, descobrir tantas verdades, caminhar e caminhar…

Não tenho vergonha do passado recente, me ajuda a ser compreensiva e paciente com quem ainda está lá… cada um tem sua história e suas dores… não é fácil crescer, mas é ruim não querer.

Eu devo estar na fase de “juniôr”, antes da adolescência… sem entender muito bem as reais intenções, achando tudo muito curioso… E estou bem assim, no meu ritmo, no meu tempo, curtindo minha mudança.

 

Palavras de Dandara

menina
Minha pequetita está falando bastante, ainda incompreensível em muitas frases, mas encantadoramente linda e engraçada! Capricha na letra T, coloca em quase todas!

Titoto – biscoito

Teita – deita

Gaaná – guaraná

Pepa pid – Peppa pig

Iz sissi – fiz xixi (avisa sempre depois de já estar patinando no xixi…)

Utau – Gustavo

Iéé – Guilherme

Tiia mão da bota – tira a mão da boca

Tá suo –  tá sujo

Uz – luz

Titidu – vestido

Tiuá – celular

Baiapiina – bailarina

Tetetô – ventilador

Neném é neném mesmo. Bebê é bebê também. São as palavras que ela mais gosta… Vê neném em tudo!

(escrevi em novembro de 2015, quando ela tinha dois e dois meses. Impressionante, como em apenas oito meses, ela fala tudo quase que perfeitamente!)

 

Recordações

fredvilma

Lembrei de quando, no início do nosso casamento, no primeiro ou segundo mês, meu preto saiu do trabalho, encarou horas no ônibus de volta pra casa e ainda foi ao mercado. Foi fazer compras. Acho que eu não fui junto para não gastarmos muito dinheiro de passagem.
Ele foi… Levou uma bolsa de napa, bem grande, que estava perdida entre nossas poucas coisas. Fez as compras no mercado e voltou… Voltou com a bolsa nas costas – estilo Papai Noel, pois ela tinha meio que o formato de um saco – com nossa comida dentro: arroz, feijão, açúcar, leite, óleo, “misturas”, como dizia minha avó. Lembro que estava pesada, lembro dele cansado, pois voltou a pé para economizar a passagem, andou por volta de meia hora. Estava cansado, mas estava sorrindo, feliz por poder trazer nosso alimento.
Boas lembranças… nossas histórias…

Gritos do racismo: só não ouve quem não quer.

brasilDia 20 de novembro, dia da Consciência Negra. Eu, negra, fui passear com minha família, negra. Fomos ao shopping. Vimos muitos negros passeando lá, como nós, porém, dentro de lojas e restaurantes, a quantidade de negros consumindo era ínfima ou nula. Feriado, shopping cheio.

Andando, vimos as moças da limpeza, a maioria negra. Num quiosque daqueles em que o café é caro e o pão de queijo também, observamos os atendentes e os clientes sentados na ilha de mesas e cadeiras cercadas, atendentes negros e clientes todos brancos.

Almoçamos em um restaurante que deveria caber umas duzentas pessoas sentadas. Estava lotado. Haviam duas famílias negras, a minha e um casal.

Entramos numa loja de departamentos para procurar um produto, os únicos negros que vi foram dois, mãe e filho.

Passamos também em uma loja que vendia sorvetes, ou melhor picolés, bem caros para simples picolés, mas saborosos demais para simples picolés. Compramos os picolés e nos sentamos dentro da loja. Ficamos ali quase dez minutos. O local estava bem movimentado, não parava de formar filas, mesmo que pequenas, no caixa. Vi dois negros, uma mulher olhando o cardápio e um rapaz que tentou comprar com um cartão refeição, que não era aceito pelo estabelecimento.

Um simples passeio, durante uma tarde inteira, num shopping do subúrbio do Rio – imagina se fosse num da zona sul! -, me fez perceber os gritos do racismo brasileiro. Se 53% da população é negra – por auto-declaração, sendo assim, sabemos que é ainda é maior, porque tem muito pardo se declarando branco por não ser “tão preto assim…” – como é que pode, num feriado, num shopping lotado do subúrbio – uma área enorme da cidade – durante, pelo menos quatro horas de observação, nem 10% dos clientes consumistas eram negros! Onde estavam os negros com “poder de compra”? Estavam viajando no feriadão? Estavam saudando o feriado da Consciência Negra, participando de eventos extras? Estavam descansando, pois só saem à noite ou pela manhã?

Tem algo muito errado… não é por acaso, não é paranoia, cisma, chatice, esquerdopatice e demais banalizações da mente crítica, é real! Observe ao seu redor!

Agora, observe as cadeias. Mais de 60% da população carcerária é negra! Coincidência? Dizem que se está preso é porque é bandido. Sigamos esta afirmação e pensemos: Por que, então, negros cometeriam mais crimes que brancos? Negros seriam mais vagabundos? Não prestariam para o trabalho ou uma vida digna? Seriam pessoas piores? Nãããão, gente! Isso é racismo, sim! Problematizem essas questões e parem de repetir discursos de ódio e preconceituosos!

Deveria ser assim: negros e brancos comprando no shopping, negros e brancos na cadeia, mas quem domina um espaço é o branco e quem “domina” o outro espaço é o negro. Por quê? Façam esta pergunta!

Desigualdade social, criminalização do negro e, especialmente, um total descaso da sociedade em relação a assuntos importantes como esse fazem parte do pacote. Isso não é vitimar o negro, é uma constatação óbvia, é só observar, não precisa grandes análises… é só olhar pro lado, pra rua, vai ver e ouvir o racismo “gritar”. Abra os ouvidos. E a cabeça.

Estratégias de Dandara

dormirMinha pequena acabou de completar dois aninhos, é engraçada que só! Elabora várias
estratégias para burlar momentos indesejados e a hora de dormir é um deles… Deito com ela e fecho os olhos, ela faz o mesmo. Depois de um tempo, vai se afastando bem devagarzinho, quando olho ela já está com metade do corpo fora cama! Ajeito ela e de volta à cama, disfarça novamente… Apoia o cotovelo no travesseiro e fica quietinha aguardando o melhor momento para a fuga…

Tem horas que apronta, se escondendo para rabiscar o corpo todo com canetinha, lambuzar-se de hipogloss ou desempacotar todos os lenços umedecidos e quando chego, a danadinha fecha os olhos e fica paradinha como se estivesse escondida só por não estar me olhando…

“O subúrbio é o refúgio dos infelizes”

Citação

suburbio1950
“A gente pobre é difícil de se suportar mutuamente; por qualquer ninharia, encontrando ponto de honra, brigando, especialmente as mulheres.

O estado de irritabilidade, provindo das constantes dificuldades por que passam, a incapacidade de encontrar fora do seu habitual campo de visão motivo para explicar o seu mal-estar, fazem-nas descarregar as suas queixas, em forma de desaforos velados, nas vizinhas com que antipatizam por lhes parecer mais felizes.

Todas elas se têm na mais alta conta, provindas da mais alta prosápia; mas são pobríssimas e necessitadas. Uma diferença acidental de cor é causa para que possa se julgar superior à vizinha; o fato do marido desta ganhar mais do que o daquela é outro. Um “belchior” de mesquinharias açula-lhes a vaidade e alimenta-lhes o despeito.

Em geral, essas brigas duram pouco. Lá vem uma moléstia num dos pequenos desta, e logo aquela a socorre com os seus vidros de homeopatia.

Por esse intrincado de ruas e bibocas é que vive uma grande parte da população da cidade, a cuja existência o governo fecha os olhos, embora lhe cobre atrozes impostos, empregados em obras inúteis e suntuárias noutros pontos do Rio de Janeiro.”

(Trecho de Clara dos Anjos, 1948. De Lima Barreto)

Quando nos escondemos… (para cristãos, com um pouco de acidez)

Dizemos que nossas carências são supridas por Jesus, dizemos que nossa vida está a serviço de Jesus, dizemos que entregamos nossos problemas nas mãos de Jesus e por isso não nos preocupamos.
Muitas vezes mentimos. Mentimos porque o que encontramos na verdade foi um novo ofício para servir de esconderijo, encontramos um novo discurso que satisfaz, pois quando o assunto é transformação “divina” ou mudança pela “fé”, não se discute. Não discutem conosco e nem nós discutimos. Nos escondemos. Nos escondemos no vício, nas atividades e  no “status” de santidade que este vício nos proporciona. Nos encondemos num tal compromisso com o vício.
E onde está Jesus? Vemos nossas vidas caírem numa falta de perspectiva, sentimo-nos perturbados, perdemos quase todo tipo de controle em relação às nossas famílias. E onde está Jesus?
Pregamos libertação e graça, mas criamos um monstro de falsidade que nos prende e nos engole, desejamos muitas vezes que o juízo e não a graça impere. Pregamos salvação e continuamos presos e ainda dizemos que estamos presos a Jesus.
Somos cristãos mentirosos, enquanto pregamos que a mentira é do Diabo… é de rir de deboche, pois engraçado não é. Somos adúlteros e assassinos, por mais que não saquemos nossas armas de metal, nosso coração está pronto a matar e dificilmente a perdoar. Pregamos a favor das famílias, dizemos que é a base da sociedade, que famílias desestruturadas formam cidadãos desestruturados e sociedades doentes e muitas vezes abandonamos nossas famílias em favor do vício que, sinceramente, não tem nada a ver com Jesus. A desgraça não tem a ver com Jesus que é doador de graça.
Pior do que a desgraça é ela disfarçada de graça, escondida mas atuando plenamente com uma roupa nova. Nem todos fazemos por mal, somos enganados devido as nossas carências e deixamos nos enganar devido à falta de disposição para encarar as escolhas.
Que haja força, sinceridade e disposição para sair desse maldito esconderijo.
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Para passar em concursos é só estudar?

Para passar em concursos é só estudar? Acredito que não. Vai muito além.
Entendendo que já há a motivação, força, foco e fé, vamos a parte prática…

O universo dos concurso é bem diferente do que pensamos, concurseiro é uma ocupação, nossa vida gira em torno de livros, editais, técnicas, macetes, estudo de conteúdos e de bancas. Não só gira em torno como se resume nisso!
O dinheiro deve ser bem administrado porque teremos gastos com materiais – sim, teremos gastos, não há como estudar seriamente para concursos com materiais baixados na internet. O tempo, ainda mais que o dinheiro – pois não há empréstimo que resolva a perda ou falta de tempo, já a de dinheiro… – deve ser diligentemente organizado, para obtermos o máximo de aproveitamento diário em estudo, sem deixarmos obrigações básicas de lado (especialmente para quem é pai, mãe ou apenas cônjuge). A casa/ambiente deve ser adequada às práticas de estudo, de forma que se tenha bom posicionamento para leitura e escrita e um mínimo de silêncio para aprender conteúdos novos. A família… ah, a família, deve apoiar o concurseiro, porque, naturalmente, ela será sobrecarregada em algum aspecto, por uma certa ausência do membro que está se dedicando a passar em concursos.

Ainda sou novata e venho adaptando-me, porque por mais que eu ouça dicas, relatos, orientações, nada acontece de um dia para o outro, nem de uma semana para a outra, as mudanças necessárias vão ocorrendo ao longo do tempo, dos meses e quem sabe, até dos anos, conforme vamos adquirindo novos conhecimentos e mapeando nossas dificuldades e, mais difícil ainda, procurando resolvê-las, o que muitas vezes, foge de iniciativas individuais nossas, fazendo com que dependamos de terceiros. E com isso, o tempo vai passando… os editais vão saindo e as provas vão chegando… Bom seria se nos esperassem! Rs. Na verdade esperam sim, muitos não estão preparados, mas muitos sim, nada mais justo com quem já está no caminho e caminhando!

Sempre gostei de estudar e achei que eu fosse inteligente o bastante, que pegaria tudo num piscar de olhos por estar interessada e focada. É de rir…
Não foi assim que aconteceu, não é assim que acontece, podem haver exceções, mas me guio pela normalidade, pela “regra”.

Há semanas que consigo produzir bastante, absorver bem os conteúdos, fazer exercícios e acertar!, assistir videoaulas, tirar dúvidas nos livros, cumprir os horários. E há semanas super improdutivas, com pouquíssimas horas de estudo, perda do ritmo, do cronograma, mudança de rotina, imprevistos… Um saco… Tensão… Ansiedade… Desânimo. Para tudo!! Aí, vou eu tentar retomar do início: motivação, força, foco, fé, elaborar novamente um cronograma e uma nova rotina de estudos.
A parte boa é que quando você vê, já está evoluindo! Entendendo mais a linguagem dos livros e dos professores, das questões mais complexas – as mais complexas, não são tão complexas, dependendo da fase em que cada estudante está -, associando assuntos diferentes, ou seja, aprendendo de verdade.

Creio que para passar, é necessário algo além do “estudar”, tem todo um aparato que vem junto e um universo diferente que se abre. Então, além de estudar, precisamos desbravar esse universo, absorver o mais possível para garantir bom êxito no final. Vai além… Por exemplo, criar um blogue para escrever sobre as atividades relacionadas a concurso, para tentar se manter fazendo o que gosta – escrever – sem perder o objetivo de passar e ajudar na motivação em momentos de desânimo… meu caso.

Sobre e-books para concursos

Há quase um ano, escrevi sobre mais e-books para concursos públicos. Continua escasso esse tipo de livro do mercado eletrônico, até tem umas obras legais na Saraiva e um pouco menos na Cultura, a Amazon fica atrás, com quase nada de oferta, infelizmente. Livros eletrônicos ainda são um mercado a se expandir, especialmente os mais técnicos, direcionados a certas áreas e concurso é uma delas.

Tenho alguns e-books, é prático para estudar longe de casa, dos papéis e mesas, mas, hoje, vejo que não substitui o papel. O fato de riscarmos, colorirmos à mão, fazermos anotações nas margens, faz diferença e com o conteúdo extenso dos editais, por mais que não pareça, mais prático é o livro, apostila ou qualquer outro material impresso que nos possibilite “passear” rapidamente entre páginas distantes umas das outras… 
A facilidade num e-book é fazer resumos, grifando os trechos mais importantes, o que vai servir, na conclusão de um conteúdo, para revisão. Porém, durante o curso do aprendizado, no grosso, escritos impressos são fundamentais. 
E-books são importantes, mas livros e demais materiais impressos são indispensáveis.