Maldita ou bendita cegueira?

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Dizem que o amor é cego e diante de tantas definições no dicionário, fico com “o que não sabe discernir do bem e do mal” e “deslumbrado”. Claro que estas definições se resumem na humanidade, pois em relação a Deus, poderia dizer simplesmente “que não vê”, pois realmente, Ele, mesmo vendo nossa imundice, não vê.

O não saber discernir do bem e do mal, a princípio, nos deixa livres para agir e reagir conforme nossas sensações e emoções, sem medo, sem medidas, sem limites… Muito poético, mas, talvez, prejudicial.

Pensando que o verdadeiro amor lança fora todo o medo, lembro de Adão e Eva, que viviam nus e nem se davam conta disso e se comunicavam com Deus. Eram cegos! – Disse a serpente – e quando comessem do fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal seriam abertos os seus olhos. Comeram eles e eu também…

Estou aqui, com os olhos abertos, tentando discernir o bem e o mal, meio que cega, meio que enxergando, meio incrédula, meio cheia de fé… Na verdade, queria estar cheia de amor! Ser cega pro mal, viver o bem e para o bem, me comunicar com Deus, sem impedimentos, sem ruídos. Queria, pelo menos, ter mais olhos pra Ele e mais vida também.

“No amor não existe medo; antes, o perfeito amor lança fora o medo. Ora, o medo produz tormento; logo, aquele que teme não é aperfeiçoado no amor.” (1 João 4:18)

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