Pensando sobre mim…e minha mãe

Um dia senti vontade de “conhecer” Jesus, o Salvador. Mesmo na adolescência, cercada de amigos, vez em quando sentia-me só. Apesar de gostar da solidão, da quietude do meu canto, não era isso, não era o estar só e sim algo maior, dentro de mim.
Tive uma infância boa. Me diverti e fui amada. Senti o amor de minha família, avós, tios/as, primos/as, especialmente de minha mãe. Lembro que apesar dela trabalhar, me levava sempre a um programa especial, mesmo que não fosse direcionado a mim.
Certa vez, quando tinha mais ou menos dez anos fomos ao show da Ângela Ro Ro. Eu fui com o uniforme do IERJ – Inst. Ed. do RJ, pois fomos da escola direto para o Centro, onde paramos um pouco – ela era/é Brizolista, fiel militante de esquerda, Cinelândia era seu “point”, tinha sempre com quem e o que conversar ali, minha impressão era que todos conheciam a “Soninha”. Depois fomos, se não me engano, no Teatro Rival assistir ao show da cantora.
Durante a infância amava sair com minha mãe, parecia que ela não tinha limites, não tinha “tempo ruim”, não a via deprimida, sempre em plena atividade, conversando, “brigando” – era brigona! não deixava nada barato -, discutindo assuntos saudáveis, construtivos.
Apesar de meus irmãos e eu assistirmos o “Show da Xuxa”, não era nosso melhor programa, nunca fomos fã da “rainha dos baixinhos”, pois minha mãe nos ensinou a não admirá-la e mais tarde entendi o porquê. TV lá em casa ficava no “Jornal” quando ela estava em casa e eu lembro que odiava isso!
Ela fazia questão de nos mostrar e nos fazer participar, a mim e a meus irmãos, de um mundo que não precisaríamos, nos fazia conviver com pessoas de níveis sociais diferentes do nosso, pois para ela não havia diferença entre as pessoas e deveríamos ajudar sem esperar retorno. Minha mãe nunca pronunciou esta frase, mas vivia esta prática, era isso que gritava nas suas ações. Tinha carinho por todos e era também muito querida e admirada, mas a não ser minha avó, não vi ninguém sacrificando-se por ela como a vi sacrificar-se pelos outros. Não culpo essas pessoas, não tiveram uma “mamãe Soninha”! rsrs.
Na adolescência, percebi momentos tristes em minha mãe, cansaço e estresse do trabalho e comecei a entender que o capitalismo era péssimo para ela e para o povo. Eu não sabia o que era capitalismo, mas ela já havia reclamado sobre ele algumas vezes. Colocaram mais uma função para seu cargo de caixa: a venda e tinha que vender. O motivo de suas dores de cabeça poderia não ser só esse, mas lembro que minha mãe não tinha o menor talento para venda, para convencer as pessoas a fazerem negócios para beneficiar bancos e isso a feria.
Quando perguntava porque ela não era gerente, dizia que não queria “pisar” nos outros, preferia continuar onde estava e conviver com as limitações do cargo e do salário. Eu e meus irmãos não precisávamos de mais nada, tínhamos o suficiente.
Não sabíamos o que era “roupa de marca”, tínhamos ótimas roupas das lojas de magazine, tipo C&A e na época, Mesbla. Tive também o privilégio de vestir lindas roupas costuradas pelas mãos da mamãe! Lindas saias, blusas, vestidos… lindos.
Aos 12 anos tive minha primeira calça jeans, mas, sinceramente, um jeans não havia me feito falta até aquele momento e certamente não faria.
Aos 13 anos, funkeira e realmente amante do funk, sonhava em ir para bailes “brabos”, ouvir som no volume máximo e ir a bailes perto de casa não eram o suficiente. Coleginho, Cassino Bangu, Chaparral e outos e eram meu alvo!
Certa vez, sairia um ônibus “fretado”do meu bairro, de pertinho da minha casa, cheio de funkeiros/as para levá-los a um desses bailes. Meu bairro era quase extensão da minha casa, todos se conheciam e eu passava quase o dia inteiro na rua ou em casa de amigas e por isso poderia mentir para ela – ir para o baile que era num ótimo horário, 15hs às 19hs e dizer que estava na casa de alguém.
Pensei bem, pensei mais de uma vez. Me vi quase em lágrimas quando pensei que poderia acontecer algo comigo, um acidente, uma bala perdida, um soco violento em alguma briga. E minha mãe? E se não desse tempo d’eu me desculpar com ela? E se eu morrer mentindo pra ela?
Alguns podem dizer que é preciso arriscar, mas não com minha mãe, não arriscar condená-la à tristeza e a mim à ingratidão. Não fui e nunca mais pensei em ir, sabia que ela não deixaria mesmo e parei de sonhar com isso…rs.
Ela sempre quis que eu tivesse sonhos mais interessantes, tipo tirar melhores notas na escola. Dizia que eu era capaz, mas desinteressada.
Aos 16 anos já me dizia para estudar para concurso. Concurso? Eu não entendia. Não me interessava estabilidade no emprego nem bom salário. Ela já havia passado em pelo menos dois concurso durante sua vida e sabia o que estava dizendo.
Deixou-me escolher o esporte que gostaria de praticar, as músicas que iria gostar, o curso que iria fazer. Não terminei o Inglês nem o Espanhol, Informática sim! E o curso técnico em Turismo também. Gostei de Turismo, mas não o suficiente para terminar a faculdade que foi abandonada quase no fim por motivo de “força maior”. Neste  momento, eu já não estava mais em casa dela e sim na minha, casada. Ela deixou-me casar aos 18 anos. Claro que sim, eu já tinha alcançado a maior idade. Não lembro de grandes brigas por causa do casamento “precoce”, apenas algumas ressalvas.
Minha mãe nos criou, a mim e meus irmãos para sermos autônomos, responsáveis e bons.
Hoje, apenas hoje sei que o que aprendi com ela foi extremamente cristão. Amor, autonomia, igualdade, empatia, doação e a não espera de retorno das “boas ações”, a sede de justiça, ódio da injustiça.
E quando enfim, conheci Jesus, infelizmente, conheci também a maldade, mentira, manipulação, falsidade, rancor, interesse, a quase completa falta de amor, o descompromisso.
Foi na igreja, no aglomerado cristão que tomei ciência de que essas coisas ruins existiam, não porque me diziam, mas porque eu via. Não numa comunidade cristã específica, mas no meio em geral dos que se diziam/dizem cristãos.
Creio que o que faltava em mim era conhecimento, hoje conheço um pouco mais… da maldade. Da bondade também, naqueles que como minha mãe, seguem pelo menos parte dos conselhos de Jesus.
Apesar de hoje ter minhas convicções pessoais, foi em casa que conheci Jesus, nas atitudes e vida de minha mãe.
Hoje como mãe, espero poder transmitir para os meus filhos tudo de bom que há em mim, mesmo que reclamem, mesmo que não gostem. Talvez aos 30, como eu, eles agradeçam.

Obrigada, mamãe Soninha!! (não se ensoberbeça… vc tem defeitos, tá!!! rsrs. e não brigue muito, hoje as pessoas são mais malvadas e orgulhosas do que antes.)

Obs.: não quero dizer que Jesus representa algo ruim e sim que os que proclamam Jesus não vivem Jesus. Generalizei, claro. Todos temos limitações, mas se cremos que Deus não coloca fardo maior do que possamos carregar, devemos rever nossas justificativas quando cedemos ao mal.

Observações do Gui sobre preconceito

– Mãe, em todos os filmes “Velozes e Furiosos” gravados lá na terra deles tinha corrida, muita corrida e menos tiro e polícia, mas o “Velozes e Furiosos 5” tem muito mais tiro e polícia só porque foi gravado aqui no Rio.
– Mas onde você viu “Velozes e Furiosos 5”? – eu perguntei surpresa.
– Eu vi no comercial, aparece bandidagem, troca de tiro com polícia, um monte de coisa assim…

Você é arrogante?

Dogville. Um filme espetacular. Eu gostei, mas quem gosta de imagens dinâmicas, não assista, é paradão e reflexivo.
É claro que a pergunta no título é muito simplória para resumir o filme, mas como não sou especialista no assunto, fico com o mais simples para não me complicar.
Ah, humanos… tão (im)previsíveis.

Descobrindo o Cinema como Arte


Assisti o filme ‘A Árvore da Vida’. Não entendi nada. No início, achei interessante, drama, como indicado na capa, depois comecei a ficar com dor de cabeça de tão confuso que ficou pra mim.
Terminado o filme, minha sensação foi de frustração. Admirei as imagens, a atuação das crianças e mais alguns detalhes de música e som, mas vi cenas desconexas e uma história meio sem pé nem cabeça…
Tive que pesquisar para diminuir o desgosto e pelo menos tentar entender o filme. Busquei algumas críticas, a maioria positiva, mas continuei sem entender. As críticas negativas são “pobres” como a minha, de gente que não gostou porque não entendeu.
Encontrei algo maravilhoso, uma informação nova e muito bem fornecida através deste texto que tenta explicar como assistir o filme citado aqui.
Descubro então, que cinema é uma arte de verdade, não estando restrita a boa atuação de atores ou efeitos especiais, é muito mais sublime porque de alguma forma retrata a alma de quem está por trás, o diretor, por exemplo. A partir disso, posso assistir filmes com outra visão que não seja reduzida ao entretenimento.
Transcrevo algumas frases que foram muito esclarecedoras:

“Não sabemos ver cinema como arte”
“O cinema deixou de ser uma arte relacionada à imagem e à imagem no tempo e se tornou teatro filmado.”
“Não há pecado em assistir a um filme por pura diversão. Mas não é inteligente utilizar o entretenimento como critério final de julgamento da arte.”
“Se você sabe ver um filme como arte e não gostou de Tree of Life, isso não se aplica a você. É perfeitamente adequado desaprovar de forma inteligente uma obra de arte. Mas infelizmente isso não se aplica à maioria do público brasileiro.”
“Para superar o incômodo da ausência de linearidade o expectador precisa saltar da atitude naturalista para uma atitude poética, e explorar as analogias e conexões estéticas entre as partes aparentemente “soltas” do filme, exatamente como na poesia escrita. A diferença é que a poesia agora é feita de imagens e narrativas.”
“Outro ponto importante é que o filme é completamente autoral. Quase sempre, quando vemos um filme, ficamos impressionados (ou não) com a atuação dos atores.  O filme não pretende pôr à frente o ator, a atuação, nem ser fiel a uma narrativa escrita anterior, mas exprime a interioridade do diretor, sua experiência do mundo e sua percepção poética das coisas. “

Nunca sequer prestei atenção em quem era o diretor, a não ser Steven Spielberg… 
Realmente, eu não sei assistir filmes como verdadeira arte. Como nunca é tarde para aprender, posso/podemos começar agora!


Link do texto citado: http://ultimato.com.br/sites/guilhermedecarvalho/2012/03/30/como-assistir-a-arvore-da-vida-de-terrence-malick-3/

A aproximação do elogio

Gosto de elogiar as pessoas, gosto de ver algo de positivo nelas, sejam roupas, acessórios, maquiagem, estilo do cabelo, atitudes, olhares, palavras, pensamentos expressos… tudo é motivo para elogios ou pelo menos uma palavra positiva. 
O ser humano é fantástico, maravilhoso, misterioso, criativo… uma eternidade de características que não cabem em si e geralmente, no cotidiano, enxergamos muito mais as maldades e coisas negativas do que as positivas, mas todos tem algo de bom em si.
Pode ser que eu aja dessa forma para receber o mesmo em troca, pode ser. Mas sem dúvida ajo assim porque gostaria de ser tratada assim. Gosto de agir com os outros da mesma forma como gostaria que agissem comigo, independente do retorno. Não necessariamente só elogiando – isso não significa nada, qualquer pessoa “falsa” faz isso brincando, com a maior naturalidade – mas procurando ser gentil, estando disposta a ajudar, envolver-me, etc. 
Pensando bem, se fizesse isso somente para receber em troca, já teria desistido… Sou muitíssimo exigente e as ações dos outros, na maioria das vezes, não são suficientes para mim. Então, já que não tenho um retorno  à altura de minhas “doações”, poderia não doar mais! Soberba? Acho que não, verdade nua e crua, sem rodeios.
E vou arriscar generalizar. A maioria de nós não pensa no outro e sim no desgaste que é tratá-lo bem, aproximá-lo, conviver com ele e junto com ele seus numerosos problemas que estando próximos de nós, participaríamos de alguma forma, mesmo que só acompanhando.
É uma tarefa árdua olhar pro outro e ver algo de bom quando nossa mente é naturalmente egoísta e individualista, um exemplo sou eu mesma, quando falo, neste texto, sobre algo que considero qualidade, falo de mim, de minhas atitudes “boas” e quando falo do que não é bom, generalizo, não falo só de mim e sim de “todos”.
Comprova-se aqui que eu sou mais uma egoísta e individualista que luta contra o “natural” distanciamento do próximo. Só mais uma. Não querendo ser só mais uma, mas fazer nem que seja um pouco, de diferença no meio da natural maldade, buscando a natural bondade, que existe, porque é ela que me motiva a olhar pro outro e realmente me sentir feliz e tentar fazê-lo feliz também, mesmo que por um instante, mesmo que com um simples elogio.