Pérolas do Gu

O discurso do Gu não estava em conformidade com o da professora sobre seu comportamento em sala, percebendo que eu pendia mais em crer no que a professora havia dito, ele argumenta falando pausadamente e olhando nos meus olhos: “Mãe, você não está acreditando em mim? A tia (professora) não me conhece mais do que eu. Eu me conheço há quase sete anos e ela me conhece há uma semana! Eu me conheço mais do que você me conhece. Eu me vi dentro da barriga e você só me viu quando abriram sua barriga e me tiraram. Eu me conheço mais que todo mundo!”

Ao saber que eu teria que abrir a barriga para que o bebê nascesse: “Mãe, não vou deixar abrirem sua barriga pro neném sair, vai doer e você vai sofrer. Você vai ter que vomitar o neném, ele vai ter que sair pela sua boca!”

“Recordar é viver” e reviver

Li um texto de um ex-aluno do Seminário do Sul falando sobre o tempo em que esteve lá. Meu sentimento é o mesmo que o dele. Saudades, boas lembranças e paixão por aquele lugar.
Quando me converti à fé batista, me apaixonei pela denominação e por tudo que ela tem, inclusive o seminário. Lembro da primeira vez que estive lá, lugar lindo, agradável, cheirando a história – boas e más. Entrei na biblioteca… que sublime!
Visitava o site do seminário constantemente sonhando com o momento em que poderia fazer minha matrícula online. Lia os artigos, conhecia alguns professores via web e só me apaixonava mais.
Enfim, muito tempo depois, consegui matricular-me no curso de Teologia. Trabalhando fora, casada e mãe de dois filhos pequenos, não poderia estudar todas as noites e me manter longe de casa tanto tempo. Matriculei-me somente em algumas matérias e ia ao seminário somente duas vezes por semana.
Saía do trabalho no Centro e não encarava muito tempo de viagem, só demorava um pouco devido aos engarrafamentos, mas curtia o caminho, lia enquanto estava no ônibus. Ao descer no ponto, ainda andava um bom pedaço pra chegar na subida que dava acesso ao seminário e subia. Curtia até essa subida… ainda mais quando passava pelo bambuzal… mais ainda quando os bambus estavam sendo balançados pelo vento e eu ouvia aquele ranger dos bambus… era muito gostoso… Minutos importantes, todos esses que me levavam até àquela Casa.
Chegava um pouco antes da aula iniciar, entrava naquela biblioteca maravilhosa e revia alguma matéria.
Entrava em sala de aula e um novo mundo se abria, tudo novo, nem sempre belo, mas sempre encantador.
Admirava tudo ali e de forma especial os professores, pelo menos a maioria dos que conheci.
Foi difícil pra mim, pois quando cheguei ao seminário achei que ali fosse a extensão da igreja, que iria encontrar uma nova família, sorrisos, abraços, ombros e amizades. Não foi assim. Vi que era uma escola normal, com pessoas normais, legais, metidas, chatas, encrenqueiras, simpáticas, honestas, desonestas, etc. Tinha gente de todo tipo. Era só mais uma instituição de ensino com todos os seus encantos e alguns diferenciais.
Vi e ouvi muita coisa boa, presenciei momentos fantástico dirigidos pela coordenação e direção do seminário e momentos tristes em que ficou claro o poder institucional sobre o “espiritual”, o poder doutrinal sobre o educacional. Realmente triste.
Não fiz grandes amizades, não conversei tanto nem me envolvi com as pessoas o tanto que gostaria. Contudo, tenho lembranças ótimas e uma tremenda vontade de voltar a estudar lá e concluir meu curso, que infelizmente, não consegui terminar. Minha turma, se não me engano, se forma no fim desse ano. Desejo sucesso a todos, assim como eu gostaria de ter, caso pudesse participar dessa formatura como formanda.
Hoje, ficam as lembranças, as lágrimas, uma certa nostalgia e a esperança de voltar.

Pai, sabes ler no meu íntimo o que não foi escrito aqui. Sabes dos detalhes da minha jornada mais até do que eu, da ordem das coisas e dos reais motivos que me afastaram desse sonho. Espero ainda poder aprender de verdade e ter um discurso melhor, mais pessoal, menos repetitivo. 
Teorias são importantes, mas independente disso, quero continuar a praticar o que tenho aprendido de Ti. Seja comigo, Senhor. Obrigada.

Pequenos Diálogos – com Gu e Gui

Após uma recomendação da mãe o pai diz “Sua mãe reclama muito….” e o Gu responde “É… nisso você tem razão…”

Depois de saber que a mamãe está grávida de mais um irmãozinho/a, Gui se surpreende: “Mãe! Com tanta TV e internet em casa, como você ainda fica grávida!?” Eu me surpreendi mais ainda com a resposta dele e perguntei como havia chegado a esta conclusão. “É que alguém me disse que antigamente as mulheres tinham muitos filhos porque não tinham TV nem internet em casa….”