Sobre e-books para concursos

Há quase um ano, escrevi sobre mais e-books para concursos públicos. Continua escasso esse tipo de livro do mercado eletrônico, até tem umas obras legais na Saraiva e um pouco menos na Cultura, a Amazon fica atrás, com quase nada de oferta, infelizmente. Livros eletrônicos ainda são um mercado a se expandir, especialmente os mais técnicos, direcionados a certas áreas e concurso é uma delas.

Tenho alguns e-books, é prático para estudar longe de casa, dos papéis e mesas, mas, hoje, vejo que não substitui o papel. O fato de riscarmos, colorirmos à mão, fazermos anotações nas margens, faz diferença e com o conteúdo extenso dos editais, por mais que não pareça, mais prático é o livro, apostila ou qualquer outro material impresso que nos possibilite “passear” rapidamente entre páginas distantes umas das outras… 
A facilidade num e-book é fazer resumos, grifando os trechos mais importantes, o que vai servir, na conclusão de um conteúdo, para revisão. Porém, durante o curso do aprendizado, no grosso, escritos impressos são fundamentais. 
E-books são importantes, mas livros e demais materiais impressos são indispensáveis.

Engajamento “público” de concurseiros/as

Hoje, acho que posso me considerar uma concurseira, apesar de preferir o termo “concursanda”.

Acompanho alguns grupos e fóruns em redes sociais aqui na internet, naturalmente, acompanho outros concurseiros, pessoas com o mesmo objetivo que eu: passar em um concurso, o dos sonhos ou apenas o primeiro de muitos.

O que vejo nessas redes não me agrada muito. Não quero generalizar, falo da maioria que observo, não de todos e nem posso dizer que é realmente maioria absoluta, mas a que se expõe na rede.

Um concurseiro/a motiva o outro pelo salário alto, benefícios a serem conquistados, estabilidade no emprego. Nada demais até aí. Acredito que isso seja comum e sem hipocrisia, são fatores que também me atraem num cargo público. No entanto, creio que não devemos reduzir nossa motivação a isso. Entendo que expressões como “servidor, cargo ou emprego público” nos convida a uma reflexão do que é realmente público e o que é serviço. Uma pessoa que entra no serviço público está ali para servir, primeiramente – não por caridade, claro, já que ela passou em um concurso concordando com as regras e esperando sua retribuição financeira pelo serviço. Criticamos tanto o governo egoísta, corrupto e injusto e parecemos estar aptos ao mesmo proceder quando reduzimos o serviço público a satisfações pessoais, somente.

Penso que seria mais coerente pensarmos em algo coletivo, em somar para o bem-estar social. Exercer um serviço público, acredito, requer um enfoque especial no todo, traduzir em prática toda a teoria que estudamos tanto antes de tomar posse no cargo. Isso é uma responsabilidade geral, independente da área, mas direciono-me, especialmente, a judiciária, na qual tenho direcionado meus estudos. Tenho aprendido tanta coisa… entendido melhor como funciona a justiça, o quanto é essencial, necessária e, infelizmente, desconhecida e desprezada pela população em geral, e negligenciada por pessoas da área.

Penso que, como servidores públicos, sendo do quadro auxiliar ou de carreira, precisamos ter um sério compromisso com o trabalho que exercermos, já que o interesse foi nosso em concorrer a uma vaga.
Sei que na prática, muitas frustrações devem nos rondar, coisas já há tempos erradas, fluindo como sendo corretas, aceitas pela maioria, contudo, deve nos rondar também e com muito mais presença, um sentimento de renovação, de esperança, de prestar atenção nas pequenas conquistas, por menores que sejam, num trabalho bem feito e em pessoas que nos sirvam como referência. Deve ser uma honra para nós fazer um órgão público funcionar, conseguir adequar procedimentos que atendam bem ao “público”, mesmo não atendendo ao público, diretamente.

Espero ter este sentimento, espero contribuir com o coletivo, com o público, no meu âmbito de trabalho, seja municipal, estadual ou federal. Espero também encontrar isso e muito mais em meus colegas de trabalho, trocar, aprender.

Posso estar totalmente errada a respeito da maioria dos “concurseiros/as”, com uma visão muitíssimo limitada desse universo, mas registro aqui o que percebo.

“Um museu de grandes novidades”

Estou apaixonada por Lima Barreto. Venho, aos trancos e barrancos, bem lentamente, buscando ler clássicos da literatura brasileira. Li uns cinco autores diferentes e Lima Barreto se pareceu comigo e eu com ele… Me leio nele, me vejo nele… Ele falou o que eu falo, criticou o que critico, pensou o que penso, levantou a mesma bandeira que eu… Tinha os mesmos anseios… Eu é que falo e penso como ele, pois vim depois. E nos encontramos nisso porque vivemos os mesmos problemas sociais! Em cem anos, vivemos os mesmos problemas! Meu Deus, como a história é dura, desanimadora e assustadora! É olhar pro futuro e ver o passado! Como nós somos burros e preguiçosos… O Brasil é um país jovem, tem muito a aprender, crescer e aparecer, claro que muita coisa mudou, coisas boas aconteceram, mas as raízes dos nossos piores problemas ainda estão presentes, intactas… Cortamos seus galhos, e até troncos, mas não fomos capazes ainda de arrancar suas raízes. Teimamos em estimá-las. E como Lima Barreto fala do Rio, da zona norte! E ainda morou perto de mim… É muito encontro pra um século só…rs. Ainda tenho que ler muito mais dele e de suas obras, mas está sendo amor a primeira vista, desde que “vi” o escrivão Isaías.