Engajamento “público” de concurseiros/as

Hoje, acho que posso me considerar uma concurseira, apesar de preferir o termo “concursanda”.

Acompanho alguns grupos e fóruns em redes sociais aqui na internet, naturalmente, acompanho outros concurseiros, pessoas com o mesmo objetivo que eu: passar em um concurso, o dos sonhos ou apenas o primeiro de muitos.

O que vejo nessas redes não me agrada muito. Não quero generalizar, falo da maioria que observo, não de todos e nem posso dizer que é realmente maioria absoluta, mas a que se expõe na rede.

Um concurseiro/a motiva o outro pelo salário alto, benefícios a serem conquistados, estabilidade no emprego. Nada demais até aí. Acredito que isso seja comum e sem hipocrisia, são fatores que também me atraem num cargo público. No entanto, creio que não devemos reduzir nossa motivação a isso. Entendo que expressões como “servidor, cargo ou emprego público” nos convida a uma reflexão do que é realmente público e o que é serviço. Uma pessoa que entra no serviço público está ali para servir, primeiramente – não por caridade, claro, já que ela passou em um concurso concordando com as regras e esperando sua retribuição financeira pelo serviço. Criticamos tanto o governo egoísta, corrupto e injusto e parecemos estar aptos ao mesmo proceder quando reduzimos o serviço público a satisfações pessoais, somente.

Penso que seria mais coerente pensarmos em algo coletivo, em somar para o bem-estar social. Exercer um serviço público, acredito, requer um enfoque especial no todo, traduzir em prática toda a teoria que estudamos tanto antes de tomar posse no cargo. Isso é uma responsabilidade geral, independente da área, mas direciono-me, especialmente, a judiciária, na qual tenho direcionado meus estudos. Tenho aprendido tanta coisa… entendido melhor como funciona a justiça, o quanto é essencial, necessária e, infelizmente, desconhecida e desprezada pela população em geral, e negligenciada por pessoas da área.

Penso que, como servidores públicos, sendo do quadro auxiliar ou de carreira, precisamos ter um sério compromisso com o trabalho que exercermos, já que o interesse foi nosso em concorrer a uma vaga.
Sei que na prática, muitas frustrações devem nos rondar, coisas já há tempos erradas, fluindo como sendo corretas, aceitas pela maioria, contudo, deve nos rondar também e com muito mais presença, um sentimento de renovação, de esperança, de prestar atenção nas pequenas conquistas, por menores que sejam, num trabalho bem feito e em pessoas que nos sirvam como referência. Deve ser uma honra para nós fazer um órgão público funcionar, conseguir adequar procedimentos que atendam bem ao “público”, mesmo não atendendo ao público, diretamente.

Espero ter este sentimento, espero contribuir com o coletivo, com o público, no meu âmbito de trabalho, seja municipal, estadual ou federal. Espero também encontrar isso e muito mais em meus colegas de trabalho, trocar, aprender.

Posso estar totalmente errada a respeito da maioria dos “concurseiros/as”, com uma visão muitíssimo limitada desse universo, mas registro aqui o que percebo.

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