Essa vida não é boa!

Com o Facebook alguns pensamentos de Gui e Gu se perderam. Hoje veio uma lembrança de 2014.


Diante do discurso “tem que estudar”, Gu, inconsolável, conclui : “Mãe, a vida não é boa, a vida é ruim, a gente estuda, estuda, estuda; depois trabalha, trabalha, trabalha; depois morre… e nunca mais vê quem a gente ama… – aos prantos – a vida não é boa, mãe!

 

 

 

Aventuras de uma rolinha

Quase todas as manhãs uma rolinha invade minha sala. Acredito que ela tenha se sentido convidada por umas cascas de sementes, comida da nossa calopsita, que assopramos na sacada.

A rolinha começou como quem não quer nada, fazendo uma paradinha na sacada algumas vezes durante o dia. Meu filho certa vez ficou assustado porque achou que tinha um “bicho marrom” morando na “casinha” do ar condicionado, não queria nem chegar perto da tal casinha com receio do bicho fazer-lhe algum mal…rs.

Certo dia, saímos de casa e por causa do calor deixamos a porta que dá para sacada aberta. Quando chegamos havia um espetáculo de pontos verdes molhados pela casa inteira!  Havia não uma, mas duas rolinhas tentando sair da sala, voando desesperadas, batendo com seus bicos no vidro, achando que aquela transparência era o ar livre para onde queriam correr. E os pontos verdes molhados? Dá pra imaginar!?

Com paciência, meu marido as direcionou para fora, elas voaram rapidamente e ele encarou a saga da limpeza do chão.

Na segunda vez, acordei antes das 6h com a calopsita “apitando” bem alto, agitada e feliz da vida. Era a “amiga” dela – minha filha chama a rolinha de amiguinha da calopsita – dando novamente o ar da graça. Eu, com receio e muita dificuldade, consegui direcioná-la para a saída.

Meu filho entrou em desespero porque o bicho marrom estava cada vez mais perto dele e passou a querer, num calor de 40 graus, deixar tudo fechado com medo da rolinha entrar.

Sempre que deixamos alguma brechinha na sacada, a amiguinha da calopsita entra para papear com ela, só que a “calô” é escandalosa demais e as conversas não duram muito, já que um ser humano chega e assusta a bichinha marrom.

Da última vez, minha filha gritou desesperada: “tem um pássaro aqui!!”, enquanto a rolinha tentava, mais desesperada ainda, ultrapassar o vidro da sala.

Essa rolinha gosta mesmo de aventuras e visitar minha casa deve ser a maior delas!

Palavras de Dandara

menina
Minha pequetita está falando bastante, ainda incompreensível em muitas frases, mas encantadoramente linda e engraçada! Capricha na letra T, coloca em quase todas!

Titoto – biscoito

Teita – deita

Gaaná – guaraná

Pepa pid – Peppa pig

Iz sissi – fiz xixi (avisa sempre depois de já estar patinando no xixi…)

Utau – Gustavo

Iéé – Guilherme

Tiia mão da bota – tira a mão da boca

Tá suo –  tá sujo

Uz – luz

Titidu – vestido

Tiuá – celular

Baiapiina – bailarina

Tetetô – ventilador

Neném é neném mesmo. Bebê é bebê também. São as palavras que ela mais gosta… Vê neném em tudo!

(escrevi em novembro de 2015, quando ela tinha dois e dois meses. Impressionante, como em apenas oito meses, ela fala tudo quase que perfeitamente!)

 

Recordações

fredvilma

Lembrei de quando, no início do nosso casamento, no primeiro ou segundo mês, meu preto saiu do trabalho, encarou horas no ônibus de volta pra casa e ainda foi ao mercado. Foi fazer compras. Acho que eu não fui junto para não gastarmos muito dinheiro de passagem.
Ele foi… Levou uma bolsa de napa, bem grande, que estava perdida entre nossas poucas coisas. Fez as compras no mercado e voltou… Voltou com a bolsa nas costas – estilo Papai Noel, pois ela tinha meio que o formato de um saco – com nossa comida dentro: arroz, feijão, açúcar, leite, óleo, “misturas”, como dizia minha avó. Lembro que estava pesada, lembro dele cansado, pois voltou a pé para economizar a passagem, andou por volta de meia hora. Estava cansado, mas estava sorrindo, feliz por poder trazer nosso alimento.
Boas lembranças… nossas histórias…

Estratégias de Dandara

dormirMinha pequena acabou de completar dois aninhos, é engraçada que só! Elabora várias
estratégias para burlar momentos indesejados e a hora de dormir é um deles… Deito com ela e fecho os olhos, ela faz o mesmo. Depois de um tempo, vai se afastando bem devagarzinho, quando olho ela já está com metade do corpo fora cama! Ajeito ela e de volta à cama, disfarça novamente… Apoia o cotovelo no travesseiro e fica quietinha aguardando o melhor momento para a fuga…

Tem horas que apronta, se escondendo para rabiscar o corpo todo com canetinha, lambuzar-se de hipogloss ou desempacotar todos os lenços umedecidos e quando chego, a danadinha fecha os olhos e fica paradinha como se estivesse escondida só por não estar me olhando…

Quando nos escondemos… (para cristãos, com um pouco de acidez)

Dizemos que nossas carências são supridas por Jesus, dizemos que nossa vida está a serviço de Jesus, dizemos que entregamos nossos problemas nas mãos de Jesus e por isso não nos preocupamos.
Muitas vezes mentimos. Mentimos porque o que encontramos na verdade foi um novo ofício para servir de esconderijo, encontramos um novo discurso que satisfaz, pois quando o assunto é transformação “divina” ou mudança pela “fé”, não se discute. Não discutem conosco e nem nós discutimos. Nos escondemos. Nos escondemos no vício, nas atividades e  no “status” de santidade que este vício nos proporciona. Nos encondemos num tal compromisso com o vício.
E onde está Jesus? Vemos nossas vidas caírem numa falta de perspectiva, sentimo-nos perturbados, perdemos quase todo tipo de controle em relação às nossas famílias. E onde está Jesus?
Pregamos libertação e graça, mas criamos um monstro de falsidade que nos prende e nos engole, desejamos muitas vezes que o juízo e não a graça impere. Pregamos salvação e continuamos presos e ainda dizemos que estamos presos a Jesus.
Somos cristãos mentirosos, enquanto pregamos que a mentira é do Diabo… é de rir de deboche, pois engraçado não é. Somos adúlteros e assassinos, por mais que não saquemos nossas armas de metal, nosso coração está pronto a matar e dificilmente a perdoar. Pregamos a favor das famílias, dizemos que é a base da sociedade, que famílias desestruturadas formam cidadãos desestruturados e sociedades doentes e muitas vezes abandonamos nossas famílias em favor do vício que, sinceramente, não tem nada a ver com Jesus. A desgraça não tem a ver com Jesus que é doador de graça.
Pior do que a desgraça é ela disfarçada de graça, escondida mas atuando plenamente com uma roupa nova. Nem todos fazemos por mal, somos enganados devido as nossas carências e deixamos nos enganar devido à falta de disposição para encarar as escolhas.
Que haja força, sinceridade e disposição para sair desse maldito esconderijo.
*

Primeira praia

Foi maravilhoso ver Dandara na praia pela primeira vez, com seus 16 meses. Estranhou os passos na areia, mas manteve-se firme na descoberta do novo andar, até que se sentiu à vontade para sujar o corpinho e as mãozinhas de areia e até comê-la!
Pegou intimidade rapidinho com o ambiente e interagiu com tudo. O que mais surpreendeu foi a salva de palmas que ela deu para o mar… Olhando aquelas ondas enormes, cada vez que elas quebravam e “esbravejavam” aquele barulhão, Dandara batia palmas e gritava êêê!
A pequena não queria sair da beira do mar, batia as perninhas com força e rapidez e gargalhava toda vez que a água vinha cumprimentá-la… Desceu, corajosamente, morros de areia como se estivesse num toboágua! Certamente, se divertiu muito e com muita qualidade. 
Infelizmente, a farra teve que acabar e foi um custo pra ela se conformar, depois de muitas lágrimas.

Muita bagunça!

Minha pequena não é mole, não. Bagunceira que só! Não fala ainda, preguiça, talvez – fala o nome dela, papai, mamãe e um dialeto desconhecido, bate um tremendo papo, como se entendêssemos tudo.
Pega minha mão e põe no meu peito quando quer mamar. Puxa minha perna e tenta me escalar quando quer colo. Pega minha mão e me leva pro canto que quer, senta e me convida a sentar para brincar. Nesses dias de muito calor, ela me leva até o tanque, aponta para ele e espera que entenda o recado…rs. Não tem suportado camisas e não suporta calçados… haja distração pra ela esquecer que está calçada e deixar o pé em paz.
Tem um sorriso maravilhoso, apaixonante. Já sabe dar beijos estalados e quando quer nos agradar, nos enche de beijinhos…
Descabelada, quase sempre, não deixa nada no cabelo, na maioria das vezes arranca os enfeites, laços, faixas, presilhas… só a maria-chiquinha não é desfeita, porque aperto bem.
Não para quieta, quer ficar andando pela casa toda o tempo todo, e acompanhada…