Passando de fase

É, os travessos estão crescendo e cada  vez mais pensantes.
Agora, as dúvidas são, entre outras, sexo, drogas e rock and roll! Rsrs…. sem sustos…. não dá mais pra dizer que os bebês nasceram da barriga e ponto. Gu, soube agora, com 8 anos, que os bebês nascem de uma relação sexual entre homem e mulher (e ele ainda não tem noção do que seja isso). Explicamos da forma mais “light” possível. O Gui soube com 9. As drogas foram puxadas pra conversa por causa de algumas músicas, rap e rock que falavam a respeito e artistas como Renato Russo, Chorão e Mv Bill, que costumam escutar. Escutam as músicas, prestam atenção nas letras, perguntam sobre os artistas que cantam as músicas e o que eles querem dizer com elas! Nem sempre, mas na maioria das vezes. Existe uma seleção musical, mas procuramos respeitar os gostos deles.
Falam muito sobre a escravização dos negros no passado – choram e sentem muita raiva -, pois estudam sobre este assunto na escola. Falam sobre o preconceito de hoje. Já sofreram preconceito, tão pequenos… E, para não alimentar o ódio, nós, responsáveis, temos que conversar muito, exaustivamente, e dar tempo pra eles pensarem, também.
Continuam falando sobre Deus e sua complexidade. E recorrem a ele em momentos de gratidão ou de ansiedade.
Suas travessuras já não são tão engraçadinhas. Seus pensamentos difíceis de traduzir. E tem mais particularidades, que não convém publicar para não invadir o espaço deles.
Bem, o que der pra publicar, vou publicando. E a maninha vem com tudo! Em breve, as postagens serão sobre os pensamentos e travessuras dela.

Dois irmãos, mesma criação

Vendo o noticiário sobre um assalto à mão armada: o bandido intercepta um motoqueiro numa avenida e rouba sua moto. Um policial assiste o ocorrido e atira no bandido que vai ferido pro hospital.
Gui, indignado: “Pra que isso? Ele já tinha levado a moto, não feriu ninguém…”
Gu, irado: “Ah! Eu se visse um bandido correndo atirava pra matar!”
O pai, tentando amenizar: “Que isso filho, às vezes as pessoas se arrependem dos seus erros…” e sem terminar a frase, Gu já interrompe e diz: “Pai, é melhor matar um do que esse um matar mil!”

Internação na Maternidade AMIU Jacarepaguá

Resolvi escrever sobre minha internação na Amiu de Jacarepaguá pensando na pouca informação que consegui na internet e as que consegui, em sua maioria foram superficiais porque, infelizmente, a maternidade não tem um site. Eu tentei buscar o máximo de informações possíveis durante a gravidez, pois me internaria neste hospital.
Começo dizendo a nota: 3,5 de um total de 5.
A recepção é boa, nos atenderam bem. O hospital em geral, é limpo, os corredores são estreitos, quartos pequenos, mas com espaços muito bem organizados. Não fui à enfermaria, mas ouvi dizer que é espaçosa e tem uma grossa cortina dividindo os leitos, o que dá maior privacidade.

No banheiro do quarto onde fiquei, a cortina do box não ia até o chão, o que causava uma tremenda molhadeira a cada banho; isso foi muito incômodo, pois depois do banho tínhamos que solicitar alguém da limpeza para secar o banheiro.
Num momento importante, precisamos de alguém da limpeza e a pessoa demorou um bocado – talvez por causa da demanda, porque todas as serventes limparam e/ou secaram tudo direitinho.

O colchão da cama era meio desconfortável para quem tinha acabado de passar por um cirurgia e estava sem mobilidade no corpo, tendo que ficar muito tempo na mesma posição. Meu quadril doía um pouco às vezes e quando perguntei sobre a possibilidade de trocar o colchão, nada feito. Porém, a altura do colchão deve ser padrão hospital, pois já estive em hospitais em que percebi o mesmo problema. Ainda tem o agravante que são os colchões gastos, ficam mais finos e desconfortáveis principalmente para os/as pesadinhos/as, que era o meu caso.
E o controle da cama estava com mau contato. Depois descobrimos um “macete” e ele funcionou bem.

Acompanhante paga a comida, almoço e jantar, café da manhã é por conta do hospital. O valor era de R$ 13 por refeição, nada barato para uma comida de hospital…

Contudo, para o paciente a comida era ótima – eu achei! Bem temperadinha, saborosa.
E as refeições chegavam no quarto no horário certinho.
Também gostei do café da manhã, não tinha fruta, mas tinha pão, biscoito, torrada, geléia, manteiga, um tipo de requeijão, café, leite e iogurte.

As técnicas de enfermagem foram, quase todas, super atenciosas e pacientes, não tenho o que reclamar delas.
Sobre a equipe médica do hospital não posso emitir opinião, pois minha médica e sua equipe, não são fixas do hospital e não tive contato com nenhum médico de plantão.

No geral, a maternidade é muito boa porque possui um bom centro cirúrgico e UTI neo-natal, que é um diferencial.

Um ponto legal também é que antes de internar-se, a interessada pode ir lá conhecer as dependências do hospital e tirar suas conclusões.

Recomendo.

Gu e suas músicas

Gustavo ligou o rádio FM do celular e estava ouvindo “Vento no litoral”. Eu disse pra ele que quem estava cantando a música era o Renato Russo. Ele se surpreendeu e disse: 
– A música que eu mais gosto dele é aquela… da Mônica e do Cebolinha… não lembro direito…” 
Eu corrigi:
– Eduardo e Mônica, Gu…” 
– É isso! Eduardo e Mônica.

Tem coisas que não mudam (muito).

Não acho que lugar de mulher seja exclusivamente o cuidado da casa, filhos e marido, ela pode e deve fazer

o que quiser e puder, desde que, como todo ser humano, respeite os limites do próximo.
Mas nós, mulheres, somos terríveis. Adquirimos várias e várias atribuições e não abrimos mão de nenhuma! Ou porque não queremos ou porque não podemos.
Posso deixar a casa nas mãos de minha auxiliar para serviços domésticos, mas não consigo, afinal, nem tudo  fica do jeitinho que quero. Posso deixar meu marido fazer a comida, mas volta e meia me meto a dar pitacos no preparo, mas confesso que a louça é todinha dele! e se ele seca e guarda a louça, eu não fico muito satisfeita, porque nem todos os utensílios estão guardados no lugar correto. Posso deixar as crianças arrumarem seus quartos, gavetas e brinquedos, mas certamente, em algum dia da semana, meterei o bedelho para “corrigir” a arrumação.
Contudo, existe uma coisa que não dá para delegar e só meter o bedelho de vez em quando, não dá para deixar passar por menores que sejam os detalhes… a criação dos filhos/as. Não tenho palavras para agradecer a Deus a oportunidade que tenho de poder estar perto deles.
Nem sempre pude e agora valorizo muitíssimo esse momento de dedicação.
Na realidade, trabalho muito mais agora, me aborreço muito mais, sinto um baita cansaço físico e mental, mas nenhum momento longe deles me traz mais alegria do que perto, mesmo com todos esses “acompanhamentos”.
Quando estão comigo, sei o que tenho que fazer, sei os horários, a disciplina, não tenho tempo de cansar, de dormir, chorar, sofrer ou sentir dor. Não tenho tempo para nada a não ser para eles. Comida, banho, conversas, sermões, chamadas de atenção, carinhos, beijinhos, cosquinhas (cócegas..rs), trabalhos de casa, atenção aos horários, ao tempo, às roupas… Eita! É muita coisa! Que desgaste… que prazer!
Quando estou só, se eu estiver bem, a luta em prol deles continua, preparando a casa para recebê-los de volta. Se eu estiver mal de forma que não consiga cuidar das demais coisas, não sei o que fazer. Aí vem dores, pensamentos chatos, carências, conversas loucas com textos sendo lidos ou com a TV, ou com um filme… ou um sono maldito que arreia ao invés de levantar, que suga ao invés de repor as energias…
Quando eles chegam e começam suas bagunças e eu começo a falar, por mais exaustivo que pareça, me alegra. São minha alegria, alegria esta que um dia partirá dos meus braços e controle para ser a alegria de outra, que espero em Deus, se alegre e muito! E alegre os meus.

Pérolas do Gu

O discurso do Gu não estava em conformidade com o da professora sobre seu comportamento em sala, percebendo que eu pendia mais em crer no que a professora havia dito, ele argumenta falando pausadamente e olhando nos meus olhos: “Mãe, você não está acreditando em mim? A tia (professora) não me conhece mais do que eu. Eu me conheço há quase sete anos e ela me conhece há uma semana! Eu me conheço mais do que você me conhece. Eu me vi dentro da barriga e você só me viu quando abriram sua barriga e me tiraram. Eu me conheço mais que todo mundo!”

Ao saber que eu teria que abrir a barriga para que o bebê nascesse: “Mãe, não vou deixar abrirem sua barriga pro neném sair, vai doer e você vai sofrer. Você vai ter que vomitar o neném, ele vai ter que sair pela sua boca!”

Pequenos Diálogos – com Gu e Gui

Após uma recomendação da mãe o pai diz “Sua mãe reclama muito….” e o Gu responde “É… nisso você tem razão…”

Depois de saber que a mamãe está grávida de mais um irmãozinho/a, Gui se surpreende: “Mãe! Com tanta TV e internet em casa, como você ainda fica grávida!?” Eu me surpreendi mais ainda com a resposta dele e perguntei como havia chegado a esta conclusão. “É que alguém me disse que antigamente as mulheres tinham muitos filhos porque não tinham TV nem internet em casa….”




Férias de Paz para o Gu

Férias em casa e Gustavo está em “paz”. Estar em paz para o Gu significa ver televisão, jogar vídeo game, tomar o mínimo de banho possível, não ter que arrumar o quarto imediatamente após levantar e não ser chamado atenção por nós, pai e mãe (pelo menos isso acontece com menos frequência).
O pai sugere um passeio, Gui se empolga para ir, Gu não. 
“Não vou, mãe, deixa meu pai e o Gui irem, porque hoje vai ser meu melhor dia, meu dia de milagre.”
O “milagre”, além da “paz”, é porque estaria sozinho jogando vídeo game e assistindo seus programas favoritos sem o “Gui me implicar”, como diz ele.