Onde estão nossas lembranças?


Estive procurando fotos impressas dos meus filhos quando bebês, os dois últimos mais precisamente, e não encontrei. Estão nas nuvens ou arquivadas em discos rígidos e até em CD’s, DVD’s e pen drives.

Pessoas munidas de suas câmeras digitais – basicamente aparelhos celulares – tiram fotos à vontade, afinal, há espaço interno suficiente e ainda um cartão de memória com vários Giga.

De uns aninhos pra cá, temos tido essa facilidade de registrar tudo e todos os momentos, em todos os lugares possíveis, nos mais improváveis e até bem inconvenientes. Nos demos ao luxo de gastar nosso “rolo de filme” sem limites de fotos e, infelizmente, de senso também.
Não precisamos mais esperar todos chegarem para uma única foto ser tirada juntos, não precisamos mais controlar o “filme” pra durar uns três meses e para não gastarmos muito tendo que revelar mais de trinta e seis poses. Nem lamentarmos até às lágrimas quando a tão esperada foto sai cortada ou manchada. Podemos verificar isso tudo em tempo real! Imagino o quanto que um fotógrafo das antigas não teria a acrescentar a este trecho do texto…

Com toda essa facilitação, praticidade e por que não prazer, também não temos mais aqueles albinhos que as lojas de revelação nos entregava junto com as fotos para acomodarmos nossas fotinhos na ordem que quiséssemos e guardar nossas lembranças. Também não temos mais a organização, a diligência e o controle da época das únicas 36 poses… Sim, estou generalizando. Admiro muitíssimo quem consegue reservar tempo para selecionar 100 dentre as mil fotos digitas arquivadas, transferir para um pen drive e levar à loja para impressão ou enviar via e-mail. Confesso que já admiraria quem faz a primeira parte, porque a segunda etapa é muito tranquila diante da paciência da primeira.

Sentimos saudades ou vamos lembrar de certas pessoas e momentos quando temos que fazer um backup para formatar um computador ou encontramos um CD ou DVD de fotos perdido em alguma gaveta do armário. Geralmente, é nesses lugares agora que ficam nossas lembranças. Não mais naquela caixa cheia de fotos, que pegávamos em família pelo menos uma vez por ano ou a cada dois para rir, chorar, contar histórias e até fazer a limpa, dependendo do histórico de cada uma.
Tá tudo tão corrido e tão prático, que até as lembranças entraram nesse esquema do momento, longe da nossa memória e menos presente no depois, onde ela seria fundamental.

Leituras e sentimentos

mulhernegra

Interesso-me demais por história. Brasileira, mulher negra, busco entender os primórdios, nossa caminhada até aqui. Tenho lido livros que retratam um pouco do Brasil Império. É impressionante como me sinto excluída da história contada.

Como mulher, a submissão absurda a que fomos submetidas, sem direitos, sem vontades, tivemos que “aproveitar” as chances de um bom casamento, dinheiro e nome. Sermos boas esposas para não perder os “privilégios”, lutar com unhas, dentes e muitas artimanhas e manipulações para nos manter como a “oficial”, não permitindo que nenhuma amante ultrapassasse o limite das “aventuras” masculinas.

Coloquei no plural o parágrafo acima porque também sou mulher, mas sinceramente, isso acontecia entre as mulheres brancas. As narrações da época imperial tratam de mulheres brasileiras vindas de famílias europeias e as próprias europeias que aqui viviam.

As mulheres negras eram as escravizadas, totalmente oprimidas, usadas, tratadas de forma descartável, como coisa, objeto, nem pra ostentar serviam,  a não ser que fosse como bem material, como posse para evidenciar a riqueza e poder do “senhor”.

Não tinham direito a perfumes, joias, roupas decentes, camas confortáveis, boa alimentação. Não davam ordens, não tinham direito à família, seu marido e filhos poderiam ser mortos ou vendidos a qualquer momento e por qualquer motivo, bastava um “senhor” querer. Mulheres brancas sim, por mais tristes que fossem – e deviam ter mesmo uma vida desgraçada – ainda podiam se banhar, dormir, comer e curtir seus filhinhos sem medo de perdê-los por qualquer motivo banal.

A mulher negra não tem sua história contada no Brasil, há que se caçar pesquisas, historiadores, pessoas dedicadas a assuntos específicos relacionados a população negra para termos uma noção, pequena que seja da nossa identidade.

Bem sei que mulheres negras são fortes, ousadas, corajosas. Rainhas e princesas de dinastias africanas. Lideranças proeminentes. Sei, mas não sei detalhes. Observando e pesquisando, aos poucos vamos descortinando a visão.

Caminhos femininos, mas diferentes.

(imagem encontrada via Google)

Mudanças bem-vindas

mudancaMinha primeira postagem no blog data em 2009… Como eu mudei em 7 anos… E dou graças… Talvez eu fosse uma beata “bolsonariana” com a melhor das intenções… Espalharia discurso de ódio achando que estaria praticando o amor, seria, talvez, extremamente preconceituosa – digo extrema porque não sou tanto, mas ainda assim, tenho meus preconceitos. Seria conhecida como uma bênção, mulher de oração, cheia da unção. Talvez eu fizesse um voto de pobreza, o que, sinceramente, não condenaria hoje, porque sei que seria sincero. Estaria entre presídios e hospitais pregando, orando, chorando e sofrendo… o que também não condenaria hoje, considero práticas louváveis e não me eximo ainda de praticá-las, mas de forma diferente.

De pensar que tudo mudou com minha passagem pelo seminário… Como foi doloroso e libertador o tempo em que estive lá, especialmente por descobrir que o tal cristianismo, aprendi em casa, com minha mãe e seu exemplo simples e honesto de ser. Só isso já me bastaria… Porém, essa minha mania de vasculhar tudo, cavar origens, buscar primórdios, me deixa ainda inquieta para desvendar tantos “mistérios”, descobrir tantas verdades, caminhar e caminhar…

Não tenho vergonha do passado recente, me ajuda a ser compreensiva e paciente com quem ainda está lá… cada um tem sua história e suas dores… não é fácil crescer, mas é ruim não querer.

Eu devo estar na fase de “juniôr”, antes da adolescência… sem entender muito bem as reais intenções, achando tudo muito curioso… E estou bem assim, no meu ritmo, no meu tempo, curtindo minha mudança.

 

Quando nos escondemos… (para cristãos, com um pouco de acidez)

Dizemos que nossas carências são supridas por Jesus, dizemos que nossa vida está a serviço de Jesus, dizemos que entregamos nossos problemas nas mãos de Jesus e por isso não nos preocupamos.
Muitas vezes mentimos. Mentimos porque o que encontramos na verdade foi um novo ofício para servir de esconderijo, encontramos um novo discurso que satisfaz, pois quando o assunto é transformação “divina” ou mudança pela “fé”, não se discute. Não discutem conosco e nem nós discutimos. Nos escondemos. Nos escondemos no vício, nas atividades e  no “status” de santidade que este vício nos proporciona. Nos encondemos num tal compromisso com o vício.
E onde está Jesus? Vemos nossas vidas caírem numa falta de perspectiva, sentimo-nos perturbados, perdemos quase todo tipo de controle em relação às nossas famílias. E onde está Jesus?
Pregamos libertação e graça, mas criamos um monstro de falsidade que nos prende e nos engole, desejamos muitas vezes que o juízo e não a graça impere. Pregamos salvação e continuamos presos e ainda dizemos que estamos presos a Jesus.
Somos cristãos mentirosos, enquanto pregamos que a mentira é do Diabo… é de rir de deboche, pois engraçado não é. Somos adúlteros e assassinos, por mais que não saquemos nossas armas de metal, nosso coração está pronto a matar e dificilmente a perdoar. Pregamos a favor das famílias, dizemos que é a base da sociedade, que famílias desestruturadas formam cidadãos desestruturados e sociedades doentes e muitas vezes abandonamos nossas famílias em favor do vício que, sinceramente, não tem nada a ver com Jesus. A desgraça não tem a ver com Jesus que é doador de graça.
Pior do que a desgraça é ela disfarçada de graça, escondida mas atuando plenamente com uma roupa nova. Nem todos fazemos por mal, somos enganados devido as nossas carências e deixamos nos enganar devido à falta de disposição para encarar as escolhas.
Que haja força, sinceridade e disposição para sair desse maldito esconderijo.
*

A aproximação do elogio

Gosto de elogiar as pessoas, gosto de ver algo de positivo nelas, sejam roupas, acessórios, maquiagem, estilo do cabelo, atitudes, olhares, palavras, pensamentos expressos… tudo é motivo para elogios ou pelo menos uma palavra positiva. 
O ser humano é fantástico, maravilhoso, misterioso, criativo… uma eternidade de características que não cabem em si e geralmente, no cotidiano, enxergamos muito mais as maldades e coisas negativas do que as positivas, mas todos tem algo de bom em si.
Pode ser que eu aja dessa forma para receber o mesmo em troca, pode ser. Mas sem dúvida ajo assim porque gostaria de ser tratada assim. Gosto de agir com os outros da mesma forma como gostaria que agissem comigo, independente do retorno. Não necessariamente só elogiando – isso não significa nada, qualquer pessoa “falsa” faz isso brincando, com a maior naturalidade – mas procurando ser gentil, estando disposta a ajudar, envolver-me, etc. 
Pensando bem, se fizesse isso somente para receber em troca, já teria desistido… Sou muitíssimo exigente e as ações dos outros, na maioria das vezes, não são suficientes para mim. Então, já que não tenho um retorno  à altura de minhas “doações”, poderia não doar mais! Soberba? Acho que não, verdade nua e crua, sem rodeios.
E vou arriscar generalizar. A maioria de nós não pensa no outro e sim no desgaste que é tratá-lo bem, aproximá-lo, conviver com ele e junto com ele seus numerosos problemas que estando próximos de nós, participaríamos de alguma forma, mesmo que só acompanhando.
É uma tarefa árdua olhar pro outro e ver algo de bom quando nossa mente é naturalmente egoísta e individualista, um exemplo sou eu mesma, quando falo, neste texto, sobre algo que considero qualidade, falo de mim, de minhas atitudes “boas” e quando falo do que não é bom, generalizo, não falo só de mim e sim de “todos”.
Comprova-se aqui que eu sou mais uma egoísta e individualista que luta contra o “natural” distanciamento do próximo. Só mais uma. Não querendo ser só mais uma, mas fazer nem que seja um pouco, de diferença no meio da natural maldade, buscando a natural bondade, que existe, porque é ela que me motiva a olhar pro outro e realmente me sentir feliz e tentar fazê-lo feliz também, mesmo que por um instante, mesmo que com um simples elogio.

Encontrando-me, ainda…


Autopsicografia                     
O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.
E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.
E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama coração.

Fernando Pessoa

Gentileza e esperança, havemos de ter!

Acorda Brasil! “Como será o futuro do nosso país? Brasil olha pra cima, há uma esperança, volta teus olhos pra Deus, Brasil!”
Lendo o profeta Gentileza, lembrei de alguns trechos de canções do João Alexandre e penso mesmo em como caminheremos, o que será de nós, humanos…?!, em especial, brasileiros.
A tecnologia a cada dia está mais desenvolvida, as pessoas com mais acesso a informção, as crianças mais espertas, etc. Aparentemente, deveríamos estar caminhando para melhor, mas a tecnologia é muito bem usada para o mal e nem tanto para o bem, acesso temos à informação, mas não buscamos, por isso não somos informados e nossas crianças super espertas crescem com suas mentes deturpadas focando o “ter”. Claro que estou generalizando, mas estes procederes são os mais comuns.
Queria muito que esse mundo pudesse conhecer Cristo e vivê-lo, mas há tanta indiferença em nós que nos dizemos dele, que não é muito atrativo nele crer e muito menos segui-lo.  
Não, não sei o que fazer a não ser a minha parte… mas qual será ela? Viver e viver bem, acho.
Também não sei viver sem que seja em prol do outro (claro que se eu quiser, eu saberei bem rapidinho, sou egoísta, mas tento ser menos, a cada dia tento). Não vejo Deus senão na predisposição em servir, em cuidar.
Melhor que os militares e sistemas políticos, nós cristãos, serviríamos ao Brasil com amor, paz, justiça, abnegação e outras características “tipicamente” cristãs das quais, gentileza é uma, trazendo mais esperança para o nosso país. Ainda me perco em tanta maldade, mas “ainda não é o fim…”

Por que não viver de romance?

Parece meio irreal, talvez seja realmente, viver de romance, viver de amor… Por que não dá? Amor implica decisão, atitude, compromisso, empatia, respeito, cautela, esperança, etc. Por que não dá pra viver assim? Por que temos que viver a falta de amor, a mentira, o “jeitinho”, a dúvida, o medo, a incerteza?

Ah, humanos… Só Jesus para nos amar assim!!

Qual o problema do saudosismo?

Me causou muita curiosidade quando percebi, ao ler algumas reportagens, artigos e outros textos em que os autores que se referiam ao passado iniciavam com a frase “não sou saudosista, mas…” Acho que não consegui entender ainda o que é saudosismo, porque não entendo que mal há nele para que as pessoas não o aceitem!
Se saudosismo for ficar preso ao passado e desprezar o novo de todas as formas, não é realmente saudável, traz tristeza e perturbação, mas se for “saudar” o que já passou lhe dando o respeito devido, não vejo problema algum. Recordar é viver sim! Lembranças também nos trazem esperança, traz sorriso nos lábios, gargalhadas e até lágrimas que podem ser curtidas sem frustração.
Não sei, não, talvez eu seja saudosista, gosto de voltar, de ver de novo, sentir de novo coisas boas, claro! coisa ruim, tanto no passado como no presente, devem ser ignoradas. Tá, não vou dizer que aceito as novidades assim tão fácil, geralmente elas passam por uma análise, são pesadas na balança e aí então, aceitas ou não e mesmo quando não, mais tarde, provavelmente serão.
Conosco: “triste berrante” que me fez pensar sobre saudosismo e me fez lembrar a novela Pantanal que, dessa posso dizer: não tem igual! (aos que nasceram de 1981 para traz)




Relação de fantasmas!

Esses sites de relacionamento não tem relacionamento nenhum! Que saco essas coisas superficiais… Claro, dá pra manter umas conversas engraçadas, mas mesmo assim, não é nem de longe um contato satisfatório, pelo menos pra mim. Eu gosto de ver o sorriso :)), ouvir os risos =D, secar as lágrimas e chorar junto =(.., gosto do abraço, do cheiro, do toque, dos beijos estalados nas bochechas, nas testas! Gosto de gente de verdade!
Talvez o e-mail seja o menor dos piores, pois como ainda é um “correio eletrônico”, só são enviadas mensagens pessoais, se realmente quisermos dizer algo à outra pessoa, só escrevo uma carta a quem quero dizer algo.
Tudo bem, cada um vê e sente os prós e contras de acordo com sua vivência e pontos de vistas e “sentidas”, mas eu tô fora! Volto ao telefone, pelo menos dá pra ouvir as lindas vozes do outro lado e se emocionar, dá pra orar, pra rir e conversar.
Essas conversas superficiais momentâneas tem me deixado com medo, medo de falar, de comentar, de não compartilhar… e não compartilho mesmo! Que tanta gente é essa que eu conheço? Eu não conheço!
Tentei manter-me conectada por conveniência e porque é bom acompanhar certas notícias, certas famílias… mas não consigo só acompanhar, quero participar e não dá pra participar… aí dá pra pirar!
E esse blog?! Li que isso é um “diário online”… haja… pra que que eu escrevo aqui? Se esse fosse meu diário…rsrs. O bom é que aqui, perde ou investe tempo que quer!
Tudo meio louco, detesto escrever assim de qualquer jeito, mas estou meio com raiva… meio… sei lá, acho que meio “tanto faz”. Aí, lê quem quiser, comenta quem quiser, se eu quiser eu publico, se eu não quiser não publico, se ninguém ler tá bom, o importante é que eu vou ler depois e provavelmente vou rir e até me arrepender de ter deixado esse texto pobre no meu blog, mas falando a verdade, acho que ele não será o único.

Ai, ai, porque eu tenho que levar tudo tão a sério?? até o que não é sério?? Argh!!!