Atualmente velho

Durante a Flip, onde o homenageado foi Lima Barreto, ouvi muito que sua literatura se faz atual pois estamos passando por dificuldades que nos remetem ao passado. Ouvi isso com um tom meio que de surpresa, como se tivéssemos evoluído. E tenho lido artigos de incentivo à leitura de certos autores e livros porque o que escreveram há um século ou mais tem sido atual.

Sei lá, eu devo ser muito pessimista, entender as coisas de forma errada ou realmente me falta visão. Quando leio a respeito do Brasil colonial, imperial, não vejo tantos avanços na nossa sociedade.

Li que brasileiro, há mais de um século, tinha mania de grandeza e que pobre queria viver de aparência se achando o europeu ‘evoluído’.
Li que as regalias do imperador e da corte eram possíveis graças ao trabalho esvravo e todo tipo de exploração de mão de obra.
Li que as benesses eram dadas aos seus pares, seus camaradas ou com quem ele ia muito com a cara. E o critério era esse mesmo: ser da mesma estirpe ou simpatizante bem próximo.
Li que a população era analfabeta e atrasada.
Li que as pessoas negras eram violentadas em todos os sentidos que a palavra ‘violência’ possa ter, exclusivamente por serem negras.
Li que a cidade do Rio de Janeiro era um lixo, apesar de muito linda.
Li que as pessoas eram sem educação e sem o devido senso coletivo de preservação.
Li que as mulheres eram servas de seus maridos e criadas para serem belas, recatadas e do lar.
Li que os homens tinham que ser machos machistas para serem homens de verdade.
Li que as fofocas determinavam o futuro do país, simplesmente porque todo mundo acreditava e não possuía o menor filtro pra agir diferente frente às ‘conversinhas’.
Li que essas mentirinhas eram produzidas pelos interessados em se manterem no poder.
Li que as desigualdades eram grandes demais e abusivas. E que quem dominava era o homem branco e sua hereditariedade.
Li sobre a guerra de status entre as mulheres que precisavam manter seu posto caso fosse bom, contra as que precisavam ocupá-lo. Não só o posto de esposa, mas também o de amante eram disputados.
Li que as crianças não tinham vez nem vontades. Estudavam o que a sociedade definia e iam pra onde seus pais definiam, fosse convento, fosse pra ser doutor.
Li que os filhos dos ricos pintavam o diabo, faziam milhares de merdas e saíam sempre ilesos das consequências. Já o filho do pobre pagava mil vezes mais pela merda que lhe era possível fazer. E o filho do preto já tava na merda. Merda e meia. Pra este a consequência era a morte mesmo.
Li que as forças de segurança eram voltadas para assegurar o poder dos mandantes e massacrar o povo caso esse poder e controle fossem ameaçados.

Ainda vejo isso tudo. Com toda tecnologia avançada e um suposto acesso a informação e educação, a dignidade da pessoa humana ainda está constantemente em perigo, tendo que ser equilibrada num tipo de ‘andor’, sempre com cuidado e evitando maiores velocidades nas conquistas pra não cair e quebrar de vez.

Vivo num país melhorado na fachada e mais elaborado na hipocrisia.
Tudo de bom que conquistamos até aqui parece que não tem base sólida. A todo instante prestes a cair, a se desfazer, a retroceder.
Sempre os mesmos caras no poder e, claro, sempre às mesmas regras.

Não creio em perfeição alguma, mas em melhoras consideráveis, pelo menos nas questões racionais de autonomia e preservação da espécie.
Coisa velha, coisa antiga é bom sim, na história, pra não ser repetida, pra ensinar pro futuro, pra evolução, não pra preservação prática, num eterno retardo.
Tá difícil engolir esse Brasil encravado na velhice, tá difícil.

Leituras e sentimentos

mulhernegra

Interesso-me demais por história. Brasileira, mulher negra, busco entender os primórdios, nossa caminhada até aqui. Tenho lido livros que retratam um pouco do Brasil Império. É impressionante como me sinto excluída da história contada.

Como mulher, a submissão absurda a que fomos submetidas, sem direitos, sem vontades, tivemos que “aproveitar” as chances de um bom casamento, dinheiro e nome. Sermos boas esposas para não perder os “privilégios”, lutar com unhas, dentes e muitas artimanhas e manipulações para nos manter como a “oficial”, não permitindo que nenhuma amante ultrapassasse o limite das “aventuras” masculinas.

Coloquei no plural o parágrafo acima porque também sou mulher, mas sinceramente, isso acontecia entre as mulheres brancas. As narrações da época imperial tratam de mulheres brasileiras vindas de famílias europeias e as próprias europeias que aqui viviam.

As mulheres negras eram as escravizadas, totalmente oprimidas, usadas, tratadas de forma descartável, como coisa, objeto, nem pra ostentar serviam,  a não ser que fosse como bem material, como posse para evidenciar a riqueza e poder do “senhor”.

Não tinham direito a perfumes, joias, roupas decentes, camas confortáveis, boa alimentação. Não davam ordens, não tinham direito à família, seu marido e filhos poderiam ser mortos ou vendidos a qualquer momento e por qualquer motivo, bastava um “senhor” querer. Mulheres brancas sim, por mais tristes que fossem – e deviam ter mesmo uma vida desgraçada – ainda podiam se banhar, dormir, comer e curtir seus filhinhos sem medo de perdê-los por qualquer motivo banal.

A mulher negra não tem sua história contada no Brasil, há que se caçar pesquisas, historiadores, pessoas dedicadas a assuntos específicos relacionados a população negra para termos uma noção, pequena que seja da nossa identidade.

Bem sei que mulheres negras são fortes, ousadas, corajosas. Rainhas e princesas de dinastias africanas. Lideranças proeminentes. Sei, mas não sei detalhes. Observando e pesquisando, aos poucos vamos descortinando a visão.

Caminhos femininos, mas diferentes.

(imagem encontrada via Google)

Fofocas do Império – parte 1

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Vista da quinta com o Paço de São Cristóvão por volta de 1820. Retirada da Wikipedia.

Li um romance da Sonia Sant´Anna, Leopoldina e Pedro I. Por curiosidade, li também A Marquesa de Santos, escrito na década de 20. Atualmente, leio 1808.
Todos falam sobre a vida na corte, no tempo do império, em mil oitocentos e lá vai. Parece longe, antigo, velho, mas não há nada mais atual! Impressionante a nossa capacidade de mudar não mudando, de construir museus de novidades. Sinceramente, não sei se a esperança aumenta ou diminui diante do conhecimento da história com sua evolução inevitável e diante do ser humano que não quer saber de história e praticamente, não evolui. Ah, mas tem os que querem saber de história e se aproveitam dela pro seu bel prazer.

Bem, resolvi me divertir com os “causos” – alguns nada divertidos – citados nos livros, que por mais ficcionais que alguns sejam, têm um fundo, lateral e frente de verdade… o conteúdo, de repente é que precisaria ser aprimorado nos detalhes…

Leopoldina era princesa da Áustria, curiosa, estudiosa, inteligente, mas infelizmente, obediente… como todas as princesas ou maioria, teria que servir ao seu marido e a seu país… Mais balela não há.
Esta jovem foi enganada por um dos assessores da corte – não recordo o título correto nem o nome do ser a que me refiro – a vir para o Brasil e casar-se com Pedro I, aproveitando-se da curiosidade e interesse da moça pelo Brasil e suas riquezas naturais, como fauna e flora abundantes.
Diante da possibilidade de casar-se com um velho obeso e feio qualquer e ainda por interesses entre os reinos de Áustria e Portugal, a menina se animou a casar-se com Pedro I, jovem e bonito.
A princesinha sonhava com seu príncipe, com seu amor… desfalecia só de pensar em quando veria seu amado, pois casou-se mesmo antes de conhecê-lo pessoalmente, conhecendo-o apenas por foto/pintura.
Em contrapartida, Pedro, no auge de sua juventude, um malandrinho da corte, um “bon vivant” irresponsável, queria curtir a vida e desfrutar dos prazeres da juventude, com mulheres e aventuras mil, sem limites, incontáveis! Estava, na verdade, se lixando para casamento, queria a liberdade dos jovens sem compromisso com a coroa e a família real, porém desfrutando dos privilégios que esse vínculo lhe proporcionava.
Mas teve que casar, para o bem e a paz da família real e dos interesses das cortes europeias envolvidas no negócio, sim negócio e somente isso.

Quando Leopoldina chegou ao Brasil, feliz da vida e cheia de sonhos, logo viu que não era tudo aquilo que pensava. No início foi interessante, mas depois, Pedro foi mandando embora aqueles que amparavam a princesa por aqui, até deixá-la sozinha e sem amigos. Vivia na esbórnia com suas amantes enquanto a esposa, em casa, sofria por não ter o amor de seu amado. Ambos eram jovens quando se casaram, menos de vinte anos.
Pedro curtia sua juventude e Leopoldina em casa, ficava com os filhos e comia, comia…
Chegou a viver só, praticamente sem marido, pois este, construiu e aparelhou praticamente um palácio para uma amada amante, bem pertinho de sua casa, onde fazia festas, bebia, transava e se divertia com amigos.

A Imperatriz Leopoldina morreu jovem, aos 29 anos, triste, perturbada e abandonada em seu palácio, devido a uma hemorragia e complicações num parto. Já havia dado a luz 7 filhos e filhas.

(O texto vem carregado de impressões minhas, apesar de baseadas nas leituras. Não sou chegada a fofocas, mas cedi às “curiosidades” em se tratando dessa corte horrível, mexeriqueira e exploradora. Ô herançazinha ruim que ficou por aqui…)

Seria o Estado o negligente maior?!

Pensando sobre o caso dos policiais que mataram um menor e a câmera da viatura registrou e pensando sobre a falsidade que assola o Estado…

Com todo um aparato totalmente incompetente para disciplinar menores ou ressocializá-los transformando-os em verdadeiras máquinas de maldade, pedaços de carne insensíveis dispostos a cometer vários tipos de crimes, o Estado pune “apenas” o policial que tirou a vida do menor… Mas não seria o próprio Estado quem matou esses meninos? Negligenciando aquilo para o que foi criado, que é estar a favor do bem coletivo, a favor das pessoas a quem ele tem que servir!? O policial mata seguindo o raciocínio do Estado, que não reconhece verdadeiramente a pobreza, a miséria e desigualdade como um problema que é seu! E estende os seus braços a eliminar da sociedade os “lixinhos pretinhos” – diga-se de passagem – que ainda estão por aí, “sujando” a cidade. O Estado é a maior máquina de crueldade que existe.

Não temos um sistema prisional decente. Quem entra ali sai pior e com mais ódio ainda, diante de todas as humilhações que sofre. Entendo que muitos dos presos praticaram fora o que sofrem na cadeia, sendo que, se eles vão cumprir pena pelos seus maus feitos durante um período e voltarão um dia à convivência social, eles devem ser ressocializados durante o período da pena, para quando voltarem ao convívio social, consigam viver em sociedade, respeitando e contribuindo. Não existe valor ou respeito humano dentro de uma cadeia – a não ser nas celas especiais que os “grandes” ocupam, isso quando são presos -, até onde sei, os presos “comuns”, em sua maioria, são tratados como trapos, escória… e depois são soltos! O ciclo de maldade continua em muitos casos e ainda pior do que no início da vida criminosa, acredito.
Adolescentes infratores, da mesma forma e agravado, porque saem da instituição sem terem tido o mínimo de cuidado que esta diz que ele vai ter e voltam às ruas, usando sua força e juventude aprimoradas na ilegalidade, na marginalidade e assim vão ostentando orgulhosamente seus maus feitos, sem um pingo de amor a sua própria vida, quanto mais a dos outros.

O que o Estado faz com esse povo, é, na minha opinião, condená-los à morte, sem chance de defesa, é um assassinato covarde. Falta o tiro no peito ou na cabeça, que sem demora é dado.

Aí o policial vai preso… e o Estado fica ileso.

E a maioria das pessoas valida o ato – especialmente a classe média – dizendo que bandido bom é bandido morto, que direitos humanos são pra quem é humano direito e não entende que toda essa violência e perigo se voltam sempre pra ela mesma, que tem que se trancar, gastar cada vez mais com serviços particulares e mais seguros, andar com medo por todo o canto. Que benefício há nisso?!
Seria muito interessante se os cidadãos percebessem e avaliassem seu papel na sociedade

Não justifica a ação dos policiais, mas que é tudo um grande jogo, é e a ação deles é o estopim.
É a ação maldosa do Davi que bota o fiel Urias na frente de batalha, para o seu bel prazer…

Sobre black blocs e política

Desde que a sequência de manifestações começaram aqui no Brasil, vários “analistas” vêm emitindo suas opiniões sobre vários aspectos. Uns falam com propriedade, outros são muito superficiais, outros manipulam informações intencionalmente e outros falam mesmo é muita bobagem!
Gostei do texto do Bruno Fiuza sobre black blocs, grande “mistério” das manifestações.
Segue link: http://www.viomundo.com.br/politica/black-blocs-a-origem-da-tatica-que-causa-polemica-na-esquerda.html

Mulheres, Homens e Cia.

“O teu desejo será para o teu marido e ele te dominará”. Esta frase está no texto do livro de Gênesis. Explicamos esta afirmação entendendo que é uma das consequências do pecado e da desobediência da mulher. O homem teve, também, suas “maldições”.
Interessante pensar o seguinte: para a mulher ter seus desejos submetidos ao marido é uma “maldição”, já para o homem ter que tirar do suor do seu trabalho o sustento, é uma honra. Homens bem empregados são honrados, mulheres sujeitas a seus maridos são nada. Homens não empregados são nada, mulheres bem empregadas são ativas, descoladas, inteligentes.
Vejo aqui que o valor está no trabalho e não na sujeição e se o valor está no trabalho e é o homem que “deve” trabalhar, o valor está nele. E a mulher? Esta, talvez sirva a quem trabalha, lhe dê conforto, carinho, prazer… traduzindo: ele dá a casa, a comida e a roupa, ela faz a comida, deixa a roupa lavada e pra melhorar, faz sexo, muito sexo! E isso não é trabalho? E como é! Por que será que justamente este trabalho não tem valor como o outro, dito masculino? Talvez porque o valor realmente não esteja no trabalho e sim no homem. Vivemos sim, em uma sociedade machista, muito da hipócrita e com valores deturpados. 
Por que não há valor na sujeição? O que nos ensinaram sobre sujeitar-se? No dicionário está que é: dependência, submissão, acatamento. Ou seja, um manda o outro obedece? É isso, tem como manobrar para dizer que é outra coisa? Acho que não, a mim parece claro. E então, que mal há em sujeitar-se? Na verdade o mal está em a quem vamos nos sujeitar. Quem sujeitou não amou, pelo contrário, maltratou, humilhou, matou. Então, o que deve mudar para que a “sujeição” seja aceita é quem sujeita. Este/a deve amar, elevar, se importar com quem está sujeito.
Hum… aí, caímos na maldade naturalmente humana. Quem fizer isso, perderá o aparente domínio, o aparente controle, não será mais o/a dono/a da situação. Se a sujeição for algo bom e prazeroso para o bem, haverá quem se sujeite, mas se for má, haverá mais ainda quem se revolte, e é o que há agora, revolta e só.
E as mulheres… ainda tentam provar aos homens que são capazes, mesmo tentando se desvencilhar do “domínio” deles, ainda estão escravas da forma como eles as veem. Querem ser iguais/melhores/maiores, querem dominá-los, querem sujeitá-los tanto quanto eles querem isso delas. Um ciclo vicioso, cansativo e chato. E etc.

É na igreja que se encontram os piores ateus

Não acredito que existam ateus, literalmente ateus, fora da igreja. Creio que alguém que se diz ateu, na verdade quer dar uma resposta curta e “grossa” às bobagens que se vê por aí feitas em nome de Deus. Para mim, os que se dizem ateus são agnósticos, não sabem, por isso, não afirmam e estão corretos, procuram ser sensatos. Não creem, por isso, não afirmam, são frios. Mas antes frio do que morno, diz a Palavra que creio, ser de Deus.
Posso estar errada quanto aos ateus, mas o pouco que já ouvi e li acerca do ateísmo me causou esta impressão.
Então penso: se ateu é quem não crê na existência de Deus, na igreja temos sim, ateus!
Igreja, aprendemos que é o povo de Deus e/ou o templo onde se reúne este povo, sendo dividido em comunidades espalhadas pelo mundo, no caso da igreja cristã. Esta definição é simples demais, mas vou ficar com ela mesmo. Igreja está diretamente relacionada a Deus ou divindades, mas é a cristã que me interessa, vou referir-me sempre a esta quando falar em igreja.
Nessas igrejas as pessoas devem crer em Deus, no seu amor e justiça, na sua palavra e orientação. Infelizmente,  há quem pregue o amor, a justiça, dão orientações baseados na palavra de Deus, exigem dos seus ouvintes/seguidores/discípulos o cumprimento da orientação, mas não são capazes de fazer o que “mandam”, não são capazes de crer no que dizem!
Romanos dois. Por este motivo sim, o nome de Deus é blasfemado entre os gentios! Por este motivo o nome de Deus não é respeitado pelos de fora… se os de dentro não são capazes de demonstrar respeito.
Não, não são os “hereges” com suas ideias “loucas” que blasfemam, não são os “depressivos” com sua “falta de fé”, não são os ignorantes com sua falta de informação, são os super-crentes, os grandes pastores, apóstolos, “fiéis” discípulos de “deus”, sei lá de que deus! Não pode ser o Deus da bíblia, não pode ser o Deus de amor, não pode ser o Deus de justiça, pregado, inclusive, por estes, pois se cressem na justiça de Deus, não mentiriam tão vergonhosamente, se cressem no amor de Deus, não maltratariam tanto, se cressem em Deus não seriam capazes de disseminar tanta ruindade e mentira por este mundo afora.
Ateus, ateus, sim, pois não creem, não creem em nada, não creem em absolutamente nada a não ser em si mesmos, tem a eles próprios como deuses. Querem ser importantes, adorados. Gostam de manipular, de estar no controle . Egoístas. Raça de víboras.
Quanto sofrimento causam, quantas pessoas afastam da tentativa do conhecimento de Deus. Quantos matam emocional/psicologicamente, quantos afundam em desilusão e tristeza.
De pensar que eu posso ser isso…

Não, Pai, não me deixe ser assim. Sei que não estou livre disso, estou sujeita como todos os humanos a cair e cair feio, mas não quero. Não quero envolver-me num lamaçal nojento de engano, de hipocrisia. Não quero que minha mente e coração sejam cauterizados. Não quero, Senhor!!! Baseei minha vidas em Ti e no que aprendi a teu respeito, quis viver para ti e somente para ti, quis servir a este mundo, às pessoas, assim como entendi que nos serviu na pessoa de Cristo, mesmo sem precisar, mesmo sem merecermos. Não quero enganar as pessoas, não quero enganar a mim. Livra-me do mal, peço-te, em nome daquele me salvou, Jesus, o Cristo. Amém.

 

EUA, não. Fico aqui, Brasil.

Geralmente me abstenho de ler notícias, elas são terríveis, dolorosas. Revolto-me demais com algumas dessas notícias e um exemplo é a que acabo de ler (link), que retrata um dos tantos problemas dos EUA. Lá ainda se fala em população negra e população branca e isso com um tom separatista, ainda. Aqui no Brasil, o lance acontece sim, mas acho que é mais ameno, acho, só acho, não estudei nem pesquisei para ter certeza disso.
Escolas públicas nos EUA, vemos nos filmes: a garota que quer ser a mais popular da escola, o galãzinho, o brabo que quer pegar o novato e os mais “tímidos” na saída, brigas, canivetes, armas, tráfico de drogas e consumo, desrespeito. Não sei se isso é geral, mas é o que se vê na ficção e acho que é reflexo do que acontece realmente, assim como aqui, fora os filmes pornográficos brasileiros, o cenário de violência retratado se identifica com nosso meio urbano. 
A notícia diz que famílias negras estão optando por educar seus filhos em casa, o chamado home schooling (educação domiciliar), porque a escola tem oferecido muito perigo. São infindos os motivos e consequências disso e não vou mapeá-los.
O que me entristece e muito é perceber que, lá como aqui no meu país, negros ainda sofrem as consequências da maldade executada há anos, muitos anos atrás, quando os levaram/trouxeram de suas terras para serem escravos ali/aqui.
Infelizmente, aqui, a maioria da população negra não pode pagar os estudos dos filhos e como suas mães e pais trabalham, não podem, obviamente ensiná-los em casa, fazer um trabalho de casa já é difícil! E aqui não temos ensino via internet reconhecido e poucas destas pessoas teriam acesso a internet em casa para cumprir o currículo escolar.
Não, não interessam políticas que introduzam o negro Cotas não são suficientes!!!!! Aqui no Brasil precisamos de melhores escolas para que TODOS possam ter um ensino de qualidade, ir à escola com prazer, respeitar e ser respeitado/a por seus/suas professores/as felizes por fazerem parte de um bom sistema de educação e por verem os resultados de seus esforços e trabalho.
É, problema com negritos/as (“eu sou neguinha!”) em todos os lugares onde foram/fomos escravos/as um dia, países desenvolvidos ou não. Aliás, os EUA não deveria ser considerado desenvolvido até que esta questão fosse resolvida, isso deveria estar na lista de quesitos para adquirir o selo de “desenvolvido”. Já o Brasil, não é mesmo e mesmo assim, prefiro os problemas daqui, ficar por aqui e resolver por aqui. De lá, bastam as más notícias.

Joga a velha fora?!

Certo dia, “apreciando” outdoors da cidade, deparei-me com a mensagem “joga a velha fora”. Trata-se de uma promoção/campanha do Jornal Meia Hora que, através da troca de selos, disponibiliza utensílios de cozinha como panelas, baixelas, etc.
Ridículo! Achei uma grande falta de respeito. Pode-se dizer que o slogan da campanha é para estar de acordo com a “irreverênia” e humor típico deste Jornal. Eu o li pouquíssimas vezes e detestei, é irreverente até demais, os textos são pobres, usam uma linguagem grosseira, as notícias também não acrescentam, uma mistura de futilidade (que infelizmente não é exclusividade deste) com assuntos importantes que são tratados da mesma forma que as futilidades. Na minha opinião este tipo de publicação não faria falta alguma, não é nada instrutivo, ainda mais para um povo como nós, brasileiros, carentes de leitura e boas notícias em todos os sentidos da palavra.
Ridículo porque, quem olha a imagem da campanha verá uma linda silhueta firme e “jovem”, contradizendo a pobre “velha” que deve ser jogada fora. Claro, sugere-se a renovação da sua cozinha, mas em tom agressivo e ofensivo sim, entendemos perfeitamente os valores implícitos ali, ou seja, nenhum, pois traz como pano de fundo a triste realidade do ser humano que dá mais importância a aparência estética do que o que realmente tem valor: a vida! Troque a mulher velha por uma jovem, não importa o quanto a velha te “serviu”, agora ela não presta. Em se tratando de panelas, colheres, potes e sei lá mais o que, ótimo, mas sugerir tratar vidas como coisas e vice-versa, é feio demais.
É isso que vamos engolindo massivamente, diariamente, agressivamente durante nossas saídas diárias pelas ruas, desvalorização. Acostumem-se com isso, “eles” querem e nós queremos e, infelizmente, já acostumamos…

Visita íntima para menores infratores?!

Nossas leis…

LEI Nº 12.594, DE 18 DE JANEIRO DE 2012.
Art. 68.  “É assegurado ao adolescente casado ou que viva, comprovadamente, em união estável o direito à visita íntima.”

Este “comprovadamente” é mediante testemunhas ou é necessário um documento registrado em cartório que declare a união estável?
Segundo o que li até agora, vale qualquer “comprovação”… Tantos agravantes em 2 linhas.
Como evitar a gravidez na adolescência? Quem realmente vai cuidar desses filhos? E as DST’s? Será que isso realmente ajuda na reabilitação do menor? Quem é que vai se relacionar com o/a menor, não seria outra/o menor? Será que assim realmente protegemos nossos/as adolescentes?
Tantas contradições… Tristes contradições.