O que eu não posso abraçar

Refletindo sobre o que gosto, o que gostaria e o que tenho que fazer, pensar, planejar, administrar e tantas outras ações, atitudes e sei lá mais o quê, fico triste, angustiada, choro, e fico triste denovo… Mas fico muito, muito feliz por perceber a eternidade que há em mim! É impossível pra mim, viver do jeito que quero ou espero, “abraçando” tudo e todos e compartilhando tudo com, pelo menos, a maioria.
Acabo de ler um post do meu irmãozinho Filipe sobre mais uma Madrugada do Carinho e lembrei de uma reflexão que me consome um bocado quando volta à minha mente: porque não sou durante o dia o que sou na madrugada?
Durante as Madrugadas do Carinho, nenhum mendigo, drogado, abandonado, meliante, prostituta ou qualquer outro tipo de pessoa passa despercebido diante de mim e do grupo que acompanho, estamos ali para servi-los, para amá-los e respeitá-los, cremos (ou pelo menos professamos isso) que essas pessoas podem, caso queiram, ser libertas por Jesus, Salvador de todos os que O confessam com a boca e crêem em seus corações (Romanos 10.9,10).
Madrugadas no Centro da cidade do Rio, Central do Brasil, horário aproximado: 1h às 4hs. Amo este trabalho, amo tanto que não concordo que seja feito apenas nas madrugadas, pelo menos por mim.
De dia, minha vida “normal”, trabalho no Centro e passo por mendigos, drogados, abandonados, prostitutas e etc, diariamente passo por eles e elas e eles e elas passam por mim. Não abordo essas pessoas, não paro para falar com elas, para cumprimentá-las, para servi-las, para oferecer-lhes uma palavra de carinho, uma proposta diferente de vida, a vivida em Jesus. Me sinto estranha com isso, ainda me falta equilíbrio para administrar esse sentimento, desejo ser o que sou na madrugada em tempo integral.
Tudo bem, é óbvio que, tenho alguns minutos de almoço, interagindo com a população de rua como nas madrugadas, o estado em que voltaria para o trabalho pediria banho e descanso, oração e reflexão… Impossível! Sou paga para produzir no que me compete e tenho que honrar o meu Deus exercendo bem a minha função no trabalho que, creio, Ele me deu.
Me sinto estranha, pois isso parece uma reclamação. Não gostaria de reclamar.
Transfiro meus desejos para minhas orações, meu Deus eterno e maravilhoso pode fazer o que não posso, o que não sei, o que nem imagino, mas sinto, sinto algo que transcende a mim, algo que me torna tão pequena que me faz adorar, me faz ajoelhar, render-me a esse Senhor tão poderoso e eterno, que não sei como ainda me considera importante e sendo agente do seu poder maravilhoso!

Ah, Senhor, abraça este povo, que tanto quero abraçar e não consigo, sou limitada demais, meus “braços” são curtos demais e acho que, justamente, para que possam ser completos nos teus que, creio, completarão os “abraços” movidos pela oração, para a glória Tua, somente tua! E felicidade daqueles que te amam e daqueles que passarão a te amar.

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