(In)felicidade humana – o drama.

Interessante pensar na tal busca da felicidade. Existem filmes com este assunto, músicas, poesias, peças teatrais, trabalhos artísticos e outras expressões humanas que tentam e tentam há séculos traduzir a busca pela felicidade e o encontro da mesma.
Temos evoluído! Sim, temos evoluído na criatividade e aplicação da maldade. É buscando a tal felicidade que encontramos os vales mais profundos de nossas vidas e como diz o salmista “da sombra da morte”. Que contradição…

A felicidade para muitos está na ausência de problemas, então, procuram se livrar deles. ‘Sem problemas, serei feliz!’ Sendo que ao pensar e tentar isso, já temos mais um problema que é buscar uma solução para solucionar ou se livrar dos problemas. Fracassado, o indivíduo se afoga nas mágoas problemáticas, pois a única conclusão em que chega é que não há como não ter problemas ou solucionar todos da forma que se quer! ‘Só derrota!’ ‘Que venham os problemas, podem vir, dane-se vocês!’ ‘Eu não tô nem aí, já que vocês são maiores do que eu, que me engulam então, me devorem, problemas!’ Se rendem, então. E das formas mais tristes e dolorosas que podemos imaginar.

Para outros, a felicidade está na satisfação plena, no prazer constante, então, procuram viver deles. ‘Buscando e tendo prazer, serei feliz!’ E saem à saga do prazer, sendo que na busca do prazer, os menores prazeres já conhecidos, vão ficando obsoletos e agora ‘preciso de mais prazer, certamente, encontrarei!’ E vai encontrando, custe o que custar, ‘quero prazer, muito prazer, satisfação plena em tudo é o que quero!’ E aí vamos perdendo a noção que tínhamos, mesmo que ainda fraca, de valores, de consideração, de preservação e, inclusive, do próprio prazer! E nada mais basta, tudo é pequeno demais, pouco, ‘preciso de mais e mais…’ Derrota na certa! A “eternidade” do prazer não está disponível a seres mortais, conclusão: vai buscando, cavando, querendo… mas não encontra o suficiente! Frustração. Escravidão. ‘Vem prazer, me toma, me engole.’ Escravo do prazer. Quem manda? Quem mata? É, porque a vida já perdeu para o prazer, só vai restar a morte agora.
Tem quem pense, também, que a felicidade está no outro. A luta da vida é a busca da felicidade, então, ‘eu vou atras da minha, do outro!’ De um parceiro, de um amigo, de filho, de um pai… Sei lá, ‘um ser humano, por favor, dá-me a honra de conhecer a felicidade em você!!’ Encontramos sim, pessoas lindas, marcantes, maravilhosas! Ah, esquecemos que essa pessoa também quer a felicidade… ‘E se a felicidade dela não for eu?! Não pode ser! Eu fiz tudo, eu me dei todo, eu “amei” tudo o que podia e mais um pouco.’ É, você viveu e respirou a pessoa, só que ela é tão humana quanto você e já que suficiência não está no humano, você não foi suficiente para ela! Traição. Decepção. Tristeza. Dor. E se o que os separa é a morte, então… morte pra você também!
Ah, a matéria, o poder, o dinheiro! Felicidade para muitos são as posses. E não saímos do ciclo de rendição, pois quanto mais se tem, mais se quer! Não, não meramente porque se quer, mas porque se precisa. A casa era pequena, o fogão a gas de botijão, o telefone com restrições e plano sob medida, o chuveiro elétrico na temperatura mediana para não gastar muito, as roupas básicas e os amigos também. As festas esporádicas, os presentes lembrancinhas, a diversão televisão, o jantar fora: varanda ou calçada e outras coisas mais… Mas o crescimento, talvez profissional-financeiro, traz um retorno maior e ‘eu quero mais conforto, aumento a casa ou alugo outra, preciso de outra habitação!’ Tem o gas de rua que é mais prático (e mais fácil de gastar) para uso no fogão e no chuveiro – ‘água quentinha, ai que conforto!’ O telefone em um plano maior, ‘mais comodidade, né.’ As roupas mais rebuscadas, pois as festas são mais frequentes e os “amigos” mais exigentes. Os presentes são presentes! E assim a imagem também cresce, um pseudo-poder vai se afirmando e custo já está firmado e a necessidade de dinheiro mais do que firmada, presente, latente, gritando! E a tal felicidade, foi alcançada? ‘Ah, não, ainda não, mas estou a caminho…’ E vai certamente, perder o controle, ou melhor, talvez se dê conta de que perdeu já, há muito tempo e já até esqueceu do que era a felicidade para você, não tem mais tempo pra ela, tudo ocupou o seu lugar! 
Bem, se a felicidade é um momento, momento não é constância. Se a felicidade é uma constância, a não felicidade é um momento e a maioria dos seres humanos, mais da maioria até (pra eu não generalizar dizendo todos) vivem de momentos e a constância ainda não foi conhecida por este nome e características.
O que será que se tem encontrado por aí na tal busca da tal felicidade…? Há quem diga que ela já veio e foi embora… Que raio de felicidade é essa! Difícil de achar e quando achada, fácil de escapar! Malvada! De novo, contradição…