A língua como fato político

A aula de hoje, plena noite de segunda-feira de carnaval, é de linguística e o assunto, dimensões subjetiva e objetiva da língua.

Estou aprendendo, dentre outras coisas, que a língua, o que podemos chamar de ‘idioma’ no popular, também é um fato político.

Existem dois tipos de língua, a I e a E. A primeira é aquela internalizada, que corresponde a dimensão subjetiva, a linguagem cognitiva e a segunda àquela compartilhada pelos compatriotas, a objetiva.

Interessa-me agora os fenômenos da língua-E, os quais são sociocultural, histórico e político. O primeiro se dá pelo compartilhamento da língua entre os indivíduos de uma mesma sociedade, o segundo se constitui ao longo do tempo histórico da humanidade e o terceiro – ao que darei mais ênfase – se estabelece por meio de ações políticas.

Sempre me perguntei o porquê da língua oficial brasileira não ser o brasileiro, já que o português veio de Portugal e o idioma aqui sofreu várias alterações e adaptações por conta da nossa formação histórica. Hoje entendo um pouquinho… O que me preocupa é somente um aspecto da língua, externo e complexo, não menos importante, porém não suficiente para definir a língua em todos os seus âmbitos.

Um exemplo mais claro sobre a língua como algo político é o fato de ela ser a oficial definida pela Constituição Federal, no caso do Brasil. Os professores também citaram dois exemplos interessantes: 1) na China fala-se dois dialetos, o cantonês e o mandarim e um não compreende o outro numa conversa, mas nem por isso, pode-se dizer que há duas línguas na China, pois no que diz respeito a unidade geopolítica, fala-se uma língua; 2) na Escandinávia, acontece o inverso, é uma região que compreende Noruega, Suécia e Dinamarca, mas os idiomas são tão semelhantes que todos se entendem na comunicação, porém não falam a mesma ‘língua’, de acordo com a soberania e orgulho nacional cada país possui seu próprio idioma.

Nós, falantes comuns, temos uma visão que geralmente é incompleta em relação à língua, mais restrita. Mas reafirmando o pensamento inicial, com um pouco mais entendimento, bem que seria interessante um “brasileiro” soberano nas nossas terras.