Eu queria aprender o idioma de Deus, mas só aprendi a ler mesmo…

biblia

Passei muitos anos da minha vida lendo a bíblia e livros religiosos. Não perdi tempo, adquiri conhecimento e fui ajudada por essas leituras em alguns momentos.

Contudo, poderia ter lido mais, coisas diferentes, fora do universo da minha religião. Infelizmente, eu tinha receio de aí sim, perder tempo lendo coisas “do mundo” e não as de Deus, conforme meu entendimento do que seria ou não de Deus.

Fui criada numa casa em que os livros eram quase que pessoas, dividiam lugares comigo! Tinham espaços decorados e eram muitíssimo amados por minha mãe.

Durante a infância não me interessava muito, infelizmente, mesmo com a insistência e incentivo de mamãe. Lembro de ter lido a coleção do Sítio do Pica-pau Amarelo, de Monteiro Lobato e pesquisar coisas na Enciclopédia completona que tínhamos em casa. Também lia jornal e não entendia absolutamente nada e amava a Revista de Domingo, que vinha no JB.

Como me converti à fé cristã evangélica durante a adolescência e passei a me interessar pela leitura bíblica, fui aprimorando meu gosto pela gramática, que já era minha queridinha de tempos atrás. A bíblia tem uma linguagem rebuscada, caprichada no português culto e isso me fazia pesquisar bastante em dicionários o significado de muitas palavras. Também já estava acostumada com isso, todas as vezes que eu perguntava a minha mãe o significado de uma palavra, ela me mandava ir buscar no “pai dos burros”.

Mas é bem diferente buscar porque mandaram e buscar porque se quer. Então o querer me fez crescer bastante.

Como a bíblia foi traduzida de idiomas “estranhos”, o significado em português de alguns vocábulos ainda não era suficiente pra mim. Eu queria conhecer Deus e na língua dele, por favor!

Quis estudar Teologia para descortinar os mistérios linguísticos divinos e dar um “up” na minha vida espiritual. Foi aí que entrei no seminário e, inevitavelmente, os horizontes se expandiram.

Tive que ler um monte de autores “seculares” e de outras vertentes cristãs, acostumar com uma leitura que não tinha nada a ver com a devocional que eu conhecia. Doeu tudo em mim. Mas era dor de crescimento.

Passei, então, a me interessar verdadeiramente pelo “mundo” . (Aqui dá até pra fazer uma leitura cristã da coisa… Mas acho que só crente “desiludido” entenderia…rs).

Abri os olhos e a mente para leituras que não fossem devocionais, orientações doutrinárias, testemunhos de conversão e vida ou histórias de missionários.

Há uns poucos anos venho lendo livros de diversos temas e tipos, tem sido divertido e compensador.

Hoje, à bíblia sou grata, ela também foi um meio para que eu aprendesse a ler um pouco mais e melhor.

Fofocas do Império – parte 1

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Vista da quinta com o Paço de São Cristóvão por volta de 1820. Retirada da Wikipedia.

Li um romance da Sonia Sant´Anna, Leopoldina e Pedro I. Por curiosidade, li também A Marquesa de Santos, escrito na década de 20. Atualmente, leio 1808.
Todos falam sobre a vida na corte, no tempo do império, em mil oitocentos e lá vai. Parece longe, antigo, velho, mas não há nada mais atual! Impressionante a nossa capacidade de mudar não mudando, de construir museus de novidades. Sinceramente, não sei se a esperança aumenta ou diminui diante do conhecimento da história com sua evolução inevitável e diante do ser humano que não quer saber de história e praticamente, não evolui. Ah, mas tem os que querem saber de história e se aproveitam dela pro seu bel prazer.

Bem, resolvi me divertir com os “causos” – alguns nada divertidos – citados nos livros, que por mais ficcionais que alguns sejam, têm um fundo, lateral e frente de verdade… o conteúdo, de repente é que precisaria ser aprimorado nos detalhes…

Leopoldina era princesa da Áustria, curiosa, estudiosa, inteligente, mas infelizmente, obediente… como todas as princesas ou maioria, teria que servir ao seu marido e a seu país… Mais balela não há.
Esta jovem foi enganada por um dos assessores da corte – não recordo o título correto nem o nome do ser a que me refiro – a vir para o Brasil e casar-se com Pedro I, aproveitando-se da curiosidade e interesse da moça pelo Brasil e suas riquezas naturais, como fauna e flora abundantes.
Diante da possibilidade de casar-se com um velho obeso e feio qualquer e ainda por interesses entre os reinos de Áustria e Portugal, a menina se animou a casar-se com Pedro I, jovem e bonito.
A princesinha sonhava com seu príncipe, com seu amor… desfalecia só de pensar em quando veria seu amado, pois casou-se mesmo antes de conhecê-lo pessoalmente, conhecendo-o apenas por foto/pintura.
Em contrapartida, Pedro, no auge de sua juventude, um malandrinho da corte, um “bon vivant” irresponsável, queria curtir a vida e desfrutar dos prazeres da juventude, com mulheres e aventuras mil, sem limites, incontáveis! Estava, na verdade, se lixando para casamento, queria a liberdade dos jovens sem compromisso com a coroa e a família real, porém desfrutando dos privilégios que esse vínculo lhe proporcionava.
Mas teve que casar, para o bem e a paz da família real e dos interesses das cortes europeias envolvidas no negócio, sim negócio e somente isso.

Quando Leopoldina chegou ao Brasil, feliz da vida e cheia de sonhos, logo viu que não era tudo aquilo que pensava. No início foi interessante, mas depois, Pedro foi mandando embora aqueles que amparavam a princesa por aqui, até deixá-la sozinha e sem amigos. Vivia na esbórnia com suas amantes enquanto a esposa, em casa, sofria por não ter o amor de seu amado. Ambos eram jovens quando se casaram, menos de vinte anos.
Pedro curtia sua juventude e Leopoldina em casa, ficava com os filhos e comia, comia…
Chegou a viver só, praticamente sem marido, pois este, construiu e aparelhou praticamente um palácio para uma amada amante, bem pertinho de sua casa, onde fazia festas, bebia, transava e se divertia com amigos.

A Imperatriz Leopoldina morreu jovem, aos 29 anos, triste, perturbada e abandonada em seu palácio, devido a uma hemorragia e complicações num parto. Já havia dado a luz 7 filhos e filhas.

(O texto vem carregado de impressões minhas, apesar de baseadas nas leituras. Não sou chegada a fofocas, mas cedi às “curiosidades” em se tratando dessa corte horrível, mexeriqueira e exploradora. Ô herançazinha ruim que ficou por aqui…)

Novas leituras do Gui

Guilherme pegou um livro para ler, “Filhos Brilhantes, Alunos Fascinantes”.
Eu meio que me posicionei contra, disse que não seria adequado para a idade dele e ele respondeu com uma citação da capa: 

“Um livro que encantará jovens de nove a noventa anos” – ele disse – Tá vendo, mãe, ano que vem eu faço nove, falta pouco tempo, não faz diferença…