Pena de morte – História hipotética


Um mulato, de cabelos castanhos, estatura média, trajando calça escura e camiseta clara, invade uma residência localizada numa rua sombria de pouquíssima iluminação.

Lá encontra uma senhora, viúva, de aproximadamente 70 anos, já se preparando para dormir após ver a novela. Arromba a porta da frente, imobiliza-a e manda-a manter-se calada. Vizinhos, passando em frente a casa da senhora, percebem movimento estranho e chamam a polícia. Enquanto isso, o ladrão vai terminando “seus afazeres”: rouba as joias, descobre onde ficavam as economias e, por fim, intencionando não ser reconhecido, com uma faca, mata a vítima.

João da Silva, biótipo de brasileiro, operário, calça jeans e camiseta clara, está retornando à sua residência, por volta das 22 horas, quase três horas após o término de seu labor. Necessitou pegar duas conduções, viajou em pé – não havia poltronas – e percorreu a pé mais de um quilômetro, distância entre o ponto final e a casa.
Já quase chegando em casa, ouve sirene de carro policial e já imagina esconder-se. Ele não tem motivos para tal, entretanto, todas as vezes em que fora parado por batida, sofreu humilhações e, até, espancamentos. Diz-se que “esse carinhoso” tratamento é comum aos mais humildes. Não obstante, a polícia segue em frente e João, mais seguro, segue o seu rumo.

Também ouvindo a sirene, o misto de ladrão e assassino foge pela porta já arrombada e corre por um terreno ermo. Os mesmos vizinhos que já haviam chamado a polícia mantiveram-se atentos e conseguiram, embora à distância e sem muita nitidez, observar os últimos e rápidos movimentos do “gatuno”.

Dois policiais continuaram na residência tentando encontrar pistas que lhe seriam de algum interesse, enquanto os outros pegaram o carro a fim de proceder a uma busca pelas redondezas. Estes, a dois quarteirões dali, avistaram João da Silva, que tinha a sua descrição coincidindo com a do assassino. A sirene foi ligada, e João correu, correu muito -traumatizado com as experiências anteriores – porém o carro era mais rápido e ele acabou sendo alcançado e preso.
João foi a julgamento e seu veredito foi de pena máxima: a pena de morte.

Maria José Ferreira Fernandes