Memórias de carnaval

Certo dia da infância, em tempos de carnaval, eu brincava nas ruas da Tijuca. Já era noite, eu no meio dos meninos que sabiam correr. Eu não sabia. Muitas famílias passando fantasiadas para um bailinho por perto.

Um bate-bola passou com um grupo de pessoas, meus amiguinhos cantaram “bate-bola, bate o pé que tem medo de mulher, se for homem vem aqui, se for ‘bixa’ fica aí!” (eu até hoje não acredito ter cantado junto, mas há dúvidas…). Infelizmente, as pessoas ainda se sentiam ofendidas por serem chamadas de bixa (mulher)…

Consequentemente, o rapazinho saiu correndo atrás dos meus amiguinhos. Eles correram, eu corri. O rapazinho era maior que nós, os meninos não deram conta e se esconderam embaixo de uma Kombi… Eu corri sem rumo sei lá pra onde… Fui encurralada.

O mascarado me olhou nos olhos, gesticulou com os dedos na frente do meu rosto como um mágico citando o “abra-cadabra” e disse com uma voz idêntica a do Esqueleto do He-man: “prometa que vc nunca mais vai mexer com um bate-bola”. Claro que eu prometi!
Ainda lembro daquela máscara assustadoramente linda, porém, claro, naquele momento, só assustadora mesmo.
Do outro lado da rua, a mãe ou irmã gritando pra ele voltar logo.

E eu, tenho cumprido piamente a promessa.

Essa vida não é boa!

Com o Facebook alguns pensamentos de Gui e Gu se perderam. Hoje veio uma lembrança de 2014.


Diante do discurso “tem que estudar”, Gu, inconsolável, conclui : “Mãe, a vida não é boa, a vida é ruim, a gente estuda, estuda, estuda; depois trabalha, trabalha, trabalha; depois morre… e nunca mais vê quem a gente ama… – aos prantos – a vida não é boa, mãe!